Febril e contagiante o movimento social pelas creches no Distrito Federal

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Publicado quarta-feira, 28 de março de 2012 as 13:06, por: cdb

Asredes sociais do entorno da Capital Federal que compõe o aglomerado de 31Regiões Administrativas (RAs) estão se transformando em uma carga de redesvitais para a garantia de Direitos. Mais Conselhos Tutelares, mais priorizaçãopara a Primeira Infância, cuja atenção é historicamente falha, negligente queainda não se afirmou como prioridade no Orçamento Público e nem como ponto deencontro dos planos das Secretarias de Estado. Vigilância, por exemplo, paracom a recente RA da Fercal, onde se situam as fábricas de cimento Tocantins eCIPLAN, e onde há sérias suspeitas de trabalho infantil identificando-se comoadolescentes “loneiros” que cobrem a carga de cimento dos caminhões fora dopátio das fábricas.

Diantedo quadro de alta vulnerabilidade, ativistas e militantes da rede de proteçãode direitos quer seja liderada ou pelo CRAS/CREAS, outros órgãos do governo ouda sociedade civil se sentem chamados interiormente a devotarem-sedecididamente pelos direitos humanos da população. Que bom encontro longe dadivisão que defendem ou acusam como dois lados em disputa estéril. Pelocontrário, todos são protagonistas desse momento histórico que os conselhossetoriais não dão conta. Servidores públicos da Saúde, da Educação, dasSecretarias da Criança, Conselheiros Tutelares e muito mais estão aí em maiorconsenso. Ativistas das ONGs e todos aqueles que se entendem articuladores desaberes, poderes e de experiências no território vivo posicionam-seprimeiramente como cidadãos e profissionais para mudar a situação.

Talexperiência ganha de forma endêmica um status de movimento social sem patrão,na contramão do paradigma da hierarquização dos poderes. São cultivadores daintersetorialidade que funciona como ensaio valioso e alternativa solidária parafazer a diferença, conferindo impactos de mudanças sociais possíveis.

Organizara febre por direito a creches de forma contagiante acontece quando “acreditamosque a estratégia de Redes nasce da participação de todos que juntos acordam-seestar num território transformando seus melhores desejo de justiça e maisigualdade”. Visamos criar impactos para o desenvolvimento social. “Enfrentar osimpeditivos e escolher viver com dignidade e não morrer na exclusão”. O queexiste é um compromisso e uma coordenação colegiada. O princípio é servir egarantir o significado da participação e a cooperação como indicadores de boaqualidade. Como todos são muito ocupados existe um rodízio de tarefas e umagestão do conhecimento através de blogs e de relatórios como memória ou diáriode bordo.

Jáocorreu o movimento pelas creches, ou melhor, pela PRIMEIRA INFÂNCIA na RedeSocial do Paranoá, do Itapoã, de Sobradinho, e agora a Rede de Planaltinapromove o I Fórum de Mobilização em sua RA. Ideia nascente do clamor da população,da percepção dos lideres comunitários acerca da incompletude das políticas edas insuficiências na garantia dos direitos ou da falta de diálogo social e dearticulação entre aqueles que deveriam pensam e agir o bem estar do povo. Nasceda sensibilidade frente ao sofrimento das crianças, dos jovens e das famíliasque Conselheiros Tutelares, profissionais do CRAS e CREAS, da Saúde da Famíliae do desafio encontrado para a implantação do SINASE. Toda ação hoje se chamamobilização, pois cria contágio, participação, crítica e construção dacidadania.

Evejam que preocupados perguntamos se o Fórum terá continuidade. Mas o Fórum quese constrói nos cerrados do Brasil Central é permanência de consciência e ação.Refletir e agir são nossa vigilância. Mais do que Fórum que reúne ideias,sugestões e práticas, une as pessoas tornando-as amigas e companheiras de lutapara um objetivo maior que supera o individualismo ou a ação de um grupo. Éação que fecunda na comunidade e nos profissionais o princípio de participaçãoe da representatividade real do povo. Supera o partidarismo que é divisionismoloteado da política local.

Otema da Creche ou da Educação Infantil na Primeira Infância se insere nainteligência operativa de uma sociedade que se quer saudável. Lutar pelodireito à creche é um chamariz e uma necessidade, não porque apenas traz atranquilidade para as mães e os pais irem ao trabalho em busca de saláriosquase sempre precários, mas para que seus filhos possam ter um desenvolvimentode uma infância feliz e protegida. Criança é prioridade nacional e comobrasileiros em Planaltina, queremos o melhor para os nossos filhos e asgerações vindouros. Creche que mobiliza a muitos, faz os desejos do coração setransformarem em protesto nas ruas.

Participação,inserção social, diálogo acerca de nossos problemas faz que a importância dotema das CRECHES como iniciativa do Fórum de Planaltina vire atitudes decobrança de direitos, barulho cidadão que redescobre o protagonismo daspessoas. Mobilização que é crescimento do valor de cada um, posto em solidárialuta onde todos saem ganhando e onde a garantia dos direitos compete também atodos, sem dispensar a responsabilidade primordial do Estado nessa obrigaçãoconstitucional.

Esperaraqui é poder germinar uma nova cidadania, plena em participação para queimpactos sociais sejam sentidos e transformem indicadores de vulnerabilidadesocial. Maior qualidade no serviço que fazemos, uma prestação de contas peloimposto que todos pagam para ver em forma de direitos e serviços de qualidade.Que assim seja essa santa doença para alguns e um milagre para as crianças queestão nascendo!