Faturando com o chapéu alheio

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Publicado quarta-feira, 21 de dezembro de 2005 as 21:12, por: cdb

Nunca foi tão fácil para os partidos de oposição ao governo Lula fazer política no Rio Grande do Sul, como agora. E, possivelmente, o que ocorre no Sul está se reproduzindo, em maior ou menor escala, em outros estados. Não bastasse o sangramento causado pela crise, o governo federal também perde visibilidade e espaço na inauguração de obras que ajuda a financiar. O PMDB, o PSDB, PPS e outros partidos estão inaugurando obras viabilizadas, parcial ou totalmente, com recursos federais e colhendo todos os louros. Isso graças, entre outras coisas, à cobertura do principal grupo de mídia no Estado, a RBS, que vem simplesmente omitindo a participação da União em várias dessas obras.

Em sua edição de 18 de dezembro, o jornal Zero Hora publicou uma matéria, com destaque e foto na capa, sobre como a luz está chegando a pequenas comunidades rurais e mudando a vida de sua população. Intitulada “A luz chega e muda a vida”, a matéria fala sobre a revolução que ocorreu na vida da família Thurow, que vive na localidade de Potreiro Grande, com a chegada da energia elétrica. A matéria não traz uma linha sobre o programa Luz para Todos, do Ministério de Minas e Energia, que, em 2005, já repassou R$ 15,6 milhões para obras de eletrificação no interior do RS, obras como essa que levaram luz para a família Thurow.

Nas edições de 19 e 20 de dezembro de ZH o mesmo padrão se repete, desta vez na área da saúde. A inauguração do Hospital de Pronto Socorro Deputado Nelson Marchezan, em Canoas, município da Grande Porto Alegre administrado pelo prefeito Marcos Ronchetti (PSDB), serviu de palanque para os presidenciáveis José Serra (PSDB) e Germano Rigotto (PMDB). Neste caso, o canibalismo político-publicitário foi bem menor uma vez que a obra era uma promessa de campanha do prefeito tucano e foi financiada em sua maior parte com recursos do município (cerca de R$ 20 milhões). O governo federal entrou com outros R$ 5 milhões. Quem faturou politicamente foram Rigotto e Serra.

No dia seguinte (20), ZH publica uma matéria de duas páginas, intitulada “Emergências em 2006: Próspero ano para a saúde”, falando sobre a inauguração do hospital em Canoas e sobre obras de reformas nas emergências em três dos principais hospitais públicos federais de Porto Alegre: Hospital de Clínicas, Fêmina e Conceição, estes dois últimos ligados ao Grupo Hospitalar Conceição. Essas obras receberão investimentos de R$ 4,3 milhões. A única autoridade que aparece falando na matéria de ZH é o secretário da Saúde de Porto Alegre, Pedro Gus, que saúda a qualificação e a criação de novos serviços para a população. Não há nenhuma menção a investimentos federais, apesar dos hospitais pertencerem à União. Desta vez, quem fatura com as obras financiadas pelo governo federal é a administração de José Fogaça (PPS). Assim como ocorreu no caso da energia elétrica, a matéria não traz uma linha sequer sobe a participação do governo federal.

Luz para Todos, menos para o governo

O caso do Programa Luz para Todos, idealizado durante a gestão de Dilma Rousseff no Ministério das Minas e Energia, é paradigmático e ajuda a iluminar uma outra face dos problemas de comunicação que envolvem o governo Lula: o silêncio ou mesmo boicote em relação a muitas obras do governo. Segundo o coordenador do programa no Estado, João Ramis, somente para o RS, o governo federal já repassou R$ 16,671 milhões para obras dos contratos em andamento no Estado. Até agora, 16 mil domicílios e cerca de 78 mil pessoas foram beneficiadas pelo programa no RS, sem nenhum custo pela instalação da energia. Até o final do ano, mais nove contratos serão assinados com concessionárias. Também até o final de 2005, os investimentos do programa atingirão a casa dos R$ 100 milhões.

Ramis destaca ainda investimentos como o que está sendo realizado na reserva da Guarita, de 23 mil hectares, e que beneficiará 7 mil índios caingangues. Além disso, como uma conseqüência direta do fim da e