Fashion Rio tem ares de desconstrução na quarta-feira

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003 as 19:35, por: cdb

O terceiro e penúltimo dia do Fashion Rio, na quarta-feira, teve a desconstrução como linha temática, além de celebridades como Rodrigo Santoro e Max Fivelinha.

Na primeira apresentação, da grife Zoé Avelanneda, peças como camisas, espartilhos, saias, sobretudos e fraques foram desmembradas para criar sobreposições. Os tecidos escolhidos foram gabardine de lã, veludo e tule pretos, na maioria bordados com fios de ouro em inspiração bizantina, em contraposição ao denim.

A marca Lei Básica, do estilista mineiro Ronaldo Fraga, propôs o “traje passeio completo”, encantando principalmente os especialistas em moda.

“Não conhecia a Lei Básica, mas conheço Ronaldo Fraga. Sei que ele botou humor e ironia em um tratamento do passeio completo, mostrando que a gente não segue tendências”, afirmou a consultora de moda Costanza Pascolato.

Fraga, que no São Paulo Fashion Week mostrou uma coleção inspirada no livro “As Aventuras de Gulliver”, usou no Rio uma trilha feita de sons de copos quebrando e canções evocando as décadas de 1940 e 1950 para dar ao desfile o tom de uma festa.

Saias supergodês em risca-de-giz, vestidos em veludo molhado preto com detalhes em bordados verdes e escarpins com pequenas flores em amarelo-cítrico coloriram a passarela.

Jeans escuros com pespontos verdes em jaquetas, macacões e vestidos dividiram espaço com peças em malha com a palavra “Lei” impressa nas costas.

MINEIRISSE E MAX FIVELINHA

Outra mineira que levou ao Rio de Janeiro a força da moda de Minas Gerais foi a grife Drosófila, que foi buscar em Istambul, capital da Turquia, suas referências.

Batas, saias, jaquetas e até quimonos surgiram em algodão, seda, cetim e jacquard com múltiplas cores sobre fundo marrom, preto e azul escuro.

O estilista Beto Neves, da Complexo B, inovou com o bom-humor característico de sua marca. Com o título “Outono Mascarado, Inverno Disfarçado”, ele montou uma coleção cheia de referências a super-heróis, guerreiros e lutadores de telecatch (uma espécie de vale-tudo sem proteção).

Os modelos desfilaram capas ou camisas sociais presas na cintura que proporcionaram um certo movimento de “vôo” ao andar. No peito e nas costas das blusas, imagens de Nacional Kid ou apenas um ‘N’ vieram estampados.

Os guerreiros foram representados por palas com capuz sobre camisetas, enquanto os lutadores ostentaram roupas com uma figura semelhante a Ted Boy Marino, além de bodies de algodão.

O “grand finale” do desfile de homens fortes foi o apresentador Max Fivelinha como super-herói correndo e “voando” pela passarela. Não faltaram aplausos.

RODRIGO SANTORO ORIENTAL

O Sol Nascente esteve mais uma vez representado no Fashion Rio, em que a inspiração oriental tem marcado boa parte das coleções.

A grife Sandpiper trouxe Rodrigo Santoro vestindo bata azul claro com bordado dourado e casacão, para delírio e colírio da platéia.

Na coleção foram vistas camisas em corte reto e de mangas longas com ideogramas japoneses na barra, calças largas, jaquetas com dragões bordados nas costas, T-shirts com estampa de Bruce Lee e Mao Tsé Tung, batas com arremates de quimono, faixas Obi e macacão preto com zíperes e capuz em estilo ninja.

As cores eram neutras e variaram entre branco, azul-marinho, verde-musgo e cáqui entremeadas por detalhes vermelhos em tecidos sem brilho.