Famílias do MST cobram avanços do governo para negociação de terras no Rio Grande do Sul

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Publicado segunda-feira, 26 de março de 2012 as 14:58, por: cdb

Àespera de negociações definitivas com o Governo do Estado sobre seus direitos, setefamílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Teto (MST) iniciaram, nesta segunda-feira,dia 26, a reocupação da área da FundaçãoEstadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) em Eldorado do Sul, Rio Grande doSul. Durante a manhã, por meio de um suposto pedido de ação judicial do diretorda Fepagro, Danilo Rheinheimer dosSantos, policiais invadiram o local para a retirada dasfamílias, que resistiram à ação eretornaram em seguida para continuar a ocupação.

Amobilização em Eldorado do Sul acontece juntamente à ocupação de outras duasáreas do estado: Charqueadas e Taquari, onde as famílias desenvolvemo plantio de hortaliças e lavoura de subsistência. “Há produção orgânica dearroz, entre outras atividades. As famílias estão cuidando das áreas, cuidandodo que é delas”, afirmou Aline Rodrigues, representante do MST de Charqueadas.

As três áreas foram destinadas pelo Executivogaúcho para Reforma Agrária e fazem parte de um acordo feito, em setembro de2011, entre o Governo do Estado e as famílias do MST. O acordo foi firmado apartir da determinação do governador do Estado, Tarso Genro, que permitiu aassinatura do secretário do Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan, com a garantiade que as áreas seriam liberadas para o assentamento de 36 famílias até o finaldo ano passado.

SegundoJoão Paulo Silva, representante do MST de Eldorado do Sul, as famíliaspermanecem acampadas nas áreas sem previsão de saída: “As famílias estãoconstruindo as estruturas e planejando novas mobilizações para pressionar o governoe avançar as negociações”, pois os agricultores não tiveram resposta sobre oandamento da situação, mesmo depois da conversa com o Assessor Especial do Governo doEstado, Milton Viário, que se comprometeu com a tentativa de marcar umapossível reunião para discutir a pauta sobre os direitos das famílias nestaterça-feira, 27.

No documento estão inseridas todasas reivindicações exigidas pelas famílias agricultoras do MST no acordo decomprometimento do Estado, feito em abril de 2011, para o assentamento de milfamílias que vivem em acampamentos no Rio Grande do Sul até2012. “Muitas famílias estão vivendo em barracos, sem água potável e com outrasdificuldades de subsistência”, disse a representante de Charqueadas, que tambémrelatou que o Ministério Público não aceita que as áreas sejam destinadas aoassentamento das famílias, por isso a demora nas negociações.

“Nós estamos cobrando do governo o assentamento dasmil famílias, a regularização das três áreas, que ainda não foram legalizadas,e a liberação oficial do governo para que as famílias possam ter os seusdireitos à moradia, saneamento básico, educação e saúde”, declarou orepresentante do MST de Eldorado do Sul, uma área bastante visadaeconomicamente tanto pelo governo, quanto por empresas agrícolas do Rio Grandedo Sul.