Família de Fernanda Vogel pode processar Pão de Açúcar

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Publicado quarta-feira, 30 de janeiro de 2002 as 19:30, por: cdb

A família da modelo Fernanda Vogel, morta aos 22 anos em acidente de helicóptero em julho do ano passado, pode processar o grupo Pão de Açúcar, dono da aeronave, pedindo indenização pelo falecimento da modelo. A mãe de Fernanda, Myriam Vogel, contratou o escritório do ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Wellington Moreira Pimentel para acompanhar o caso. Fernanda viajava com o namorado o empresário João Paulo Diniz, para Maresias, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, quando o helicóptero caiu no mar, em 27 de julho. A modelo e o piloto Ronaldo Jorge Ribeiro morreram.

Cinco advogados, entre eles o ex-governador do Rio Nilo Batista, estudam a possibilidade de entrar com a ação indenizatória e outra criminal. A primeira se basearia no fato de Fernanda “contribuir significativamente para o sustento da família”, segundo nota distribuída pelos advogados. “A indenização terá como base de cálculo a projeção do que ela viria a auferir ao longo de sua carreira de modelo, em franca ascensão na época da queda do helicóptero”, diz o texto enviado hoje à imprensa.

A ação criminal teria o propósito de investigar “todas as circunstâncias” do acidente. A nota lembra que na noite em que o helicóptero caiu “chovia muito e a visibilidade era precária”. E prossegue: “O tempo era ruim e a meteorologia desaconselhava o vôo. A queda do Augusta (marca da aeronave) ocorreu no mar, distante alguns quilômetros da costa, após um vôo de 35 minutos, que teve como ponto de partida a sede do Pão de Açúcar. (…) Depois da queda, João Paulo Diniz e o co-piloto (Luiz Roberto de Araújo Cintra) conseguiram nadar, e horas mais tarde, chegar ao litoral. Fernanda teria sucumbido ao esforço”.

A mãe de Fernanda Vogel, a comissária de bordo Myriam Vogel, não quis comentar a possibilidade de processar o Pão de Açúcar. No enterro da modelo, ela acompanhou o cortejo de mãos dadas com João Paulo Diniz e chegou a ser amparada por ele em alguns momentos. Os advogados de Myriam também se recusaram a dar entrevistas. A mãe do piloto Ronaldo Jorge Ribeiro, Hercília Jorge Ribeiro, de 80 anos, não pretende processar o Grupo Pão de Açúcar. “Minha mãe não quer tocar nesse assunto. Para a gente essa história está esquecida”, disse o coronel reformado da Aeronáutica, Reinaldo Jorge Ribeiro, irmão do piloto.

Reinaldo acredita que o irmão tenha pilotado naquela noite sob pressão de João Paulo. “As condições de vôo eram péssimas. Mas ele (João Paulo) é rico. Foi um capricho”, afirmou. Mesmo assim, diz que a família não pensou “em nada de processo”. “A gente quer esquecer”, insistiu. Ronaldo era casado e tinha dois filhos, já adultos. A mulher dele, Ana Maria mudou-se de Vinhedo (SP) para Natal (RN), onde vive a família dela, na semana passada, segundo informou o cunhado Reinaldo.