Falta de remédio gera pânico em Minas

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Publicado quinta-feira, 2 de outubro de 2003 as 10:16, por: cdb

A falta do medicamento Interferon 1-A, conhecido por Rebif 44 microgramas, nas prateleiras da Central de Assistência Farmacêutica (CAF) de Minas Gerais, que faz a distribuição gratuita pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em Belo Horizonte, causou pânico entre os portadores de esclerose múltipla. A caixa do medicamento, com 12 ampolas, custa R$ 6.925,00.

Mesmo quem pode comprá-lo em farmácia é obrigado a esperar cinco dias para o laboratório liberar o remédio, vendendo-o sob encomenda e à vista. O medicamento faltou em 18 de setembro, segundo a presidente da Associação de Apoio aos Portadores de Esclerose Múltipla (Asapem), Maria Inêz dos Santos Dias.

Mesmo a SES já tendo resolvido o problema, o receio dela é que, em uma falta mais prolongada do medicamento, os portadores da doença possam entrar em surto e acabar internados. “A pessoa entra em pânico porque fica insegura, sabendo que o medicamento pode faltar. E isso causa problemas emocionais sérios em quem tem a doença”, disse Inêz Dias, que conta ter recebido vários telefonemas de portadores desesperados.

Na terça-feira, a presidente da Asapem disse que esteve com o chefe de gabinete da SES, Odilon Pereira de Andrade Neto, sendo tranqüilizada por ele de que o medicamento não vai faltar.

A esclerose múltipla, explicou Inêz Dias, ainda não tem cura, sendo tratada por neurologistas especializados. Os sintomas são dormência e visão dupla, podendo o paciente perder os movimentos e a visão. “Com o tratamento através da pulsoterapia, a pessoa pode recuperar os movimentos, voltando ao estado quase normal”, apontou.

Em Minas, há 480 portadores de esclerose múltipla cadastrados pela Asapem, entidade criada para dar apoio também aos familiares. A associação conta com 44 pessoas que contribuem mensalmente, com R$ 10, R$ 50 e R$ 100, sua única fonte de renda.

A Asapem também investe o dinheiro na compra de cadeiras de roda, andadores e bengalas para os associados. No Estado, a Asapem é parceira de três associações, que ficam em Uberlândia, Juiz de Fora e Governador Valadares.

O dinheiro, segundo Inêz Dias, dá para comprar alguns medicamentos complementares, às vezes não encontrados na Secretaria de Dispensação do Estado e nos Centros de Saúde, como o Retenic, para incontinência urinária, e os antidepressivos Lexpro e Mantidan.

A Assessoria de Comunicação da SES admitiu que houve falha no fornecimento do Rebif 44 microgramas. Em 17 de setembro, o medicamento teria sido entregue no almoxarifado da SES, mas haveria prazo para cadastrá-lo antes da liberação. O contrato com o fornecedor seria anual, com o compromisso de suprir demanda mensal.

Sobre os medicamentos complementares que estariam faltando, a assessoria disse que a listagem dos remédios distribuídos pelo Estado é feita pelo Programa de Medicamentos Dispensados em Caráter Excepcional, do Ministério da Saúde, e que a distribuição de remédios da farmácia básica é atribuição do município.

Já a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde informou que o Mantidan está na lista do Estado e que os outros dois citados por Inêz não estão incluídos na lista básica.