Extrema direita vence na Suiça

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Publicado sexta-feira, 24 de outubro de 2003 as 16:58, por: cdb

Mal a extrema direita ganhou aqui na Suíça, já ameaça agitar o panorama político e quebrar aquela calma, na qual vivem os suíços ha cerca de 50 anos. Seu líder, o industrial e milionário Christopher Blocher, transformou um pequeno partido suíço-alemão de fazendeiros e artesãos, no maior partido do país, com dimensão nacional, usando como tema o combate aos estrangeiros, a rejeição da União Europeia e, recentemente, uma defesa tatica dos aposentados, enquanto apoia o ultraliberalismo junto aos banqueiros e industriais.

Porém, essa extrema direita suíça não tem nada a ver com o movimento congênere do austríaco Joerg Haider, nem do francês Jean-Marie Le Pen. É uma extrema-direita que se poderia chamar de light, mas que como o cigarro com baixos teores, também pode causar estragos.

O primeiro deles tem data marcada – será no dia 10 de dezembro -, quando o parlamento suíço devera renovar o posto de um ministro democrata-cristão, no governo de colegiado, formado por sete ministros.

Sem presidente eleito e sem primeiro-ministro, a Suíça é governada pela chamada “formula magica”, pela qual todos os partidos fazem parte do colegiado, o que, elimina uma oposição e garante a calma e a estabilidade políticas suíça.

Dia 10 de dezembro, Blocher quer ser eleito para esse colegiado, mas se os socialistas com os centristas impedirem, promete colocar seu partido na oposição e criar uma crise nunca vista no alto das montanhas helvéticas.

Entretanto, se conseguir entrar no governo, a bipolarização resultante das eleições legislativas de ontem também tornara impossível se decidir as questões importantes. Os socialistas nada perderam com as eleições suíças, ate tiveram um ligeiro crescimento de 1,5%. A expansão da extrema direita foi toda com eleitores descontentes vindos dos partidos radical, direita tradicional, e democrata-cristão, centro, que antes governavam a Suíça.

Depois de meio século de estabilidade política, a Suíça poderá conhecer as crises dos países vizinhos, mesmo porque a crise econômica já chegou por aqui e deve perdurar.