Exposição de fotos mostra no Rio o mito da mulher venezuelana

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 6 de junho de 2003 as 14:31, por: cdb

O mito da beleza venezuelana, consagrado mais uma vez com um segundo lugar no concurso Miss Universo, chega ao Brasil pelas mãos do fotógrafo Andrés Manner, que em uma exposição revela muitas intimidades da Miss Venezuela.

A mostra de quatorze fotografias que Manner exporá no Centro Audiovisual do Rio de Janeiro faz parte do Festival Foto Rio 2003, que será inaugurado formalmente no próximo sábado, com 95 exposições simultâneas em sessenta museus, galerias e espaços alternativos.

A exposição “As Rainhas” não exibe as fotos habituais da Miss Venezuela, com passarelas e corpos deslumbrantes em desfile.

Segundo explicou Manner, seu trabalho busca registrar os bastidores desse concurso, que na Venezuela é acompanhado com o mesmo fervor quase religioso com que os brasileiros tratam o futebol.

Manner retratou as aspirantes a rainhas da beleza esgotadas após horas de ensaios e com a maquiagem escorrida, nos poucos momentos de relaxamento que permite a disciplina imposta por Osmel Sousa, o artífice desse mito que deu ao país quatro Miss Universo, cinco Miss Mundo e dezenas de finalistas nesses concursos.

Segundo Manner, trata-se de “um fenômeno venezuelano” sustentado em “uma obsessão pelo orgulho nacional transformado em mulher”.

Essa obsessão entra em milhares de venezuelanas “pela veia” em seus primeiros anos de vida, e a exposição “As Rainhas” mostra meninas de entre dez e doze anos que, no concurso de 1999, participaram fantasiadas de pequenas misses.

“Seu sonho é chegar à maioridade para poder concorrer”, diz Manner, cujos primeiros contatos com o concurso também foram quando ainda era um bebê: “Quem trocava minhas fraldas era Susana Dujim”, a primeira Miss Mundo venezuelana (1955) e velha amiga de sua mãe.

Para este venezuelano meio hippie e com aspirações artísticas que passavam bem longe da frivolidade dos concursos de beleza, o trabalho com a Miss Venezuela “foi toda uma descoberta”.

Foi convidado junto com outros fotógrafos pela Associação Cultural Humboldt de Caracas, instituição vinculada ao Goethe Institute, da Alemanha, para registrar tudo aquilo “que o público não pode ver” antes e no meio do deslumbrante desfile de mulheres enfeitadas com plumas ou minúsculos biquínis.

A experiência lhe valeu “um enorme respeito e outro conceito dessas mulheres, que trabalham e suam em prol delas mesmas para realizar um sonho que na Venezuela pode levá-las a onde quiserem, desde uma carreira política até a televisão ou o casamento sonhado”.

Antecedentes nesse sentido sobram. O melhor exemplo foi Irene Sáez, à qual o título de Miss Universo que ganhou em 1981 levou a ser prefeitura de um elegante município de Caracas, candidata presidencial nas eleições que em 1998 foi vencida pelo atual chefe de Estado, Hugo Chávez, e governadora do turístico estado de Nova Esparta.

“É que o Miss Venezuela abre portas inimagináveis”, sustenta Manner, fotógrafo de 35 anos formado no International Center of Photograpy de Nova York e que já expôs seus trabalhos no reconhecido instituto PS1 dessa cidade, em Miami e em várias mostras montadas em Caracas.