Explosivo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 22:28, por: cdb

Um dia difícil para os carcereiros. Terça-feira à noite, dois detidos de Fresnes, suspeitos de 17 assaltos à mão armada, escaparam das salas da polícia judiciária de Nanterre (Hauts-de-Seine), quando aguardavam o interrogatório, simulando uma crise de asma, e golpearam um policial.

Nesta quarta-feira de manhã, um comando armado como numa guerra entrou na casa de detenção de Fresnes (Val-de-Marne) para libertar, em dez minutos, Antonio Ferrara, um preso classificado como “perigoso”.

O ataque na prisão foi semelhante ao assalto de um carro-forte, com as mesmas armas de guerra, de mesmo explosivo, determinação, violência, organização e cronometrado”, afirma o Comissário da repressão que coletou dos lugares “100 cartuchos de grosso calibre” (7,62…).

À 4h20 desta quarta-feira, de seis à dez homens invadiram, com blusões escuros e capuzes pretos, e se posicionaram na parte de trás da prisão, ao longo de um muro.

Saltaram o pesado portal de ferro atirando e entraram no centro penitenciário “pela brecha de um metro de diâmetro”. Um agente tentou neutralizar, mas as rajadas eram constantes.

Enquanto um grupo metralhava, três cúmplices explodiram mais adiante uma segunda porta. O comando se precipita por outro buraco aberto e cai sobre o tribunal disciplinar, ficando face a face com Antonio Ferrara.

O preso, que provocou “uma punição” na segunda-feira, teve que trabalhar como voluntário. Certamente, conseguiu avisar os cúmplices, facilitando a ação.

Uma vez dentro da “cidadela penitenciária”, o comando passou, através da janela, um explosivo com um sistema de fogo. Ferrara não demorou a utilizá-lo. As grades voaram em pedaços. E Ferrara saltou no tribunal, livre.

Os policiais reencontraram na sua cela o “seu casaco com o seu telefone celular e um pão de plástico”. O fugitivo foi-se embora com os seus amigos de carro. Incendiaram veículos no estacionamento para fazer diversão. Por sorte, esta invasão não deixou feridos nem mortos.

O ministro da Justiça, Dominique Perben, constatou que “esta invasão foi do tipo militar com utilização de armas de guerra e pessoas que planejaram todo plano minuciosamente, com o máximo cuidado”. Diante disto, é bem difícil que o pessoal da penitenciária estivesse pronto para tal ação. Para Pierre Bédier, secretário de Estado

da justiça, “a segurança máxima” dos estabelecimentos “obriga, paradoxalmente, que estes bandidos utilizem métodos cada vez mais violentos”.

Os sindicatos de vigias denunciam que “o efetivo é pequeno em prisões superpovoadas, “a falta de meios e a inadaptação das estruturas”. “O que nos preocupa, é que os cúmplices não têm mais medo de usar armas de guerra”, lamentou o supervisor do FO.

Tradução: Vanessa Barbosa