Exército israelense pede permissão para derrubar casas palestinas

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Publicado quarta-feira, 26 de janeiro de 2005 as 06:47, por: cdb

O exército israelense solicitou permissão ao Procurador Geral, Menahem Mazuz, assessor legal do governo, para alargar a rota de Filadélfia, na fronteira de Gaza com o Egito, para o qual terá que derrubar centenas de casas palestinas.

O pedido, formulado pelo comandante da zona militar do sul, general Dan Harel, com jurisdição na faixa palestina de Gaza, foi divulgado hoje, quarta-feira, pelo jornal Haaretz.

O argumento para a demolição das casas com o fim de criar uma “zona estéril” de 300 metros nessa rota de nove quilômetros ao longo da fronteira é que assim os soldados que devam vigiá-la ficarão protegidos de ataques palestinos depois do desmantelamento dos assentamentos judaicos de Gaza e da evacuação da Faixa de Gaza.

A gestão do general Harel, que se reuniu em duas ocasiões com Mazuz, propiciou que dias atrás visitasse essa zona em companhia de outros juristas com o fim de estudar o problema e as conseqüências que teria para Israel a destruição em massa de casas palestinas.

À margem desse trâmite do exército, o líder trabalhista Shimon Peres, segundo do primeiro-ministro Ariel Sharon, declarou esta manhã à rádio pública que Israel terá que retirar-se também da rota Filadélfia, paralela à fronteira de Gaza com Egito, quando, em julho próximo, começar a evacuação total desse território.

Segundo Peres, essa rota, onde o exército procura impedir o contrabando de armas e explosivos do Egito para a resistência na Faixa de Gaza, ficará sob o controle da polícia palestina com a cooperação de efetivos militares desse país.

As Forças Armadas, assinala hoje o jornal Haaretz, planejam a construção de uma cerca com sensores eletrônicos ao longo dos 250 quilômetros da fronteira de Israel com Egito para impedir o contrabando de entorpecentes e armas que costumam chegar à Cisjordânia, assim como de mulheres para exercer a prostituição.

Por enquanto, acrescenta o jornal de Tel Aviv, as autoridades militares não contam com o orçamento correspondente.