Ex-dirigente reformista chinês morre aos 85 anos

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 17 de janeiro de 2005 as 09:49, por: cdb

Zhao Ziyang, o político reformista derrubado da liderança do Partido Comunista da China em 1989 por opor-se aos massacres da praça Tiananmen (Paz Celestial), morreu em um hospital nesta segunda-feira, afirmou a família dele. Zhao tinha 85 anos.

Antes tido como herdeiro de Deng Xiaoping, a carreira do dirigente chegou ao fim quando visitou os manifestantes pró-democracia concentrados na praça. Derrubado do poder, Zhao ficou em prisão domiciliar durante os últimos 15 anos de sua vida.

– Ele está livre finalmente”, disse Wang Yannan, filha do ex-líder, em um comunicado obtido pela Reuters. O pai dela morreu durante um coma em um hospital de Pequim na segunda-feira, após uma série de derrames.

Zhao passou os últimos anos da vida atrás das portas vermelhas de uma casa da capital, tendo saído apenas para fazer visitas rápidas a outras Províncias ou para jogar golfe. Carros e policiais à paisana estavam sempre do lado de fora da residência dele.

O ex-secretário-geral do PC, acusado de dividir o partido por se opor à decisão de Deng Xiaoping de repreender os protestos na praça da Paz Celestial, continuava a ser uma figura política de destaque e o governo teme que sua morte detone novas manifestações.

Mas na fria manhã desta segunda-feira, a praça da Paz Celestial era visitada apenas por alguns turistas, por alguns moradores de Pequim e por vários guardas. Bandeiras irlandesas podiam ser vistas tremulando para marcar a visita do primeiro-ministro da Irlanda, Bertie Ahern, a Pequim.

Os sucessores do homem ligado aos esforços de reforma econômica realizados pela China nos anos 1980 temem que a morte dele sirva de catalisador de manifestações de trabalhadores insatisfeitos com os altos índices de desemprego e de agricultores empobrecidos.

Zhao não foi visto em público desde 19 de maio de 1989, quando compareceu à praça e, chorando, pediu aos estudantes que deixassem o local. No dia seguinte, o governo declarou lei marcial e o Exército, com o apoio de tanques, entrou em ação. Nos dias 3 e 4 de junho, centenas de pessoas foram mortas.

Zhao perdeu o cargo de secretário-geral do partido e acabou substituído por Jiang Zemin, no poder até o final de 2002, quando deu lugar a Hu Jintao, atual dirigente do país. Por enquanto, não houve reações à morte de Zhao.

– A liderança chinesa, de toda forma, tomou precauções – disse Kenneth Lieberthal, da Universidade de Michigan.

– Mas isso detonará um outro protesto? Não tenho idéia. Mas duvido que aconteça – disse ainda.