Ex-deputados são presos por suspeita de alta corrupção

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Publicado quinta-feira, 4 de maio de 2006 as 20:34, por: cdb

Ex-deputado que renunciou ao mandato para não ser cassado por envolvimento no esquema do valerioduto, Carlos Rodrigues (PL-RJ), mais conhecido como Bispo Rodrigues, apresentou-se expontaneamente à Polícia Federal (PF) no fim da manhã desta quinta-feira na companhia de um advogado, em cumprimento a um mandado de prisão contra ele por um possível envolvimento no esquema de fraude em licitações para compra de ambulâncias em municípios pobres do interior do país. Na denominada Operação Sanguessuga, agentes da PF prenderam nesta quinta-feira 46 pessoas acusadas de ligação com o esquema. O ex-deputado federal Ronivon Santiago (PP-AC) também foi preso pelo mesmo motivo.

Segundo o diretor regional da Polícia Federal em Cuiabá, Tardeli Boaventura, a denúncia foi feita pelo ex-ministro da Controladoria Geral da União Waldir Pires. O diretor explica que a quadrilha atuava em todas as regiões do país, mas tinha base no Mato Grosso. A atuação da quadrilha possuia três frentes: junto às prefeituras para fraudar licitações, no Congresso Nacional para elaborar emendas parlamentares e no próprio Ministério da Saúde para liberação de recursos.

Um integrante da quadrilha oferecia o serviço aos prefeitos, dizendo ter “bom trânsito” na Câmara e no Senado. Os assessores cuidavam para que os parlamentares elaborassem uma emenda específica para o município deste prefeito. A terceira pessoa era a assessora do Ministério da Saúde, responsável por agilicar o processo e colher a assinatura do ministro ou do secretário-executivo para liberar as verbas.

– A quadrilha tinha 23 empresas fantasmas para fraudar licitações e fingir concorrência. A quadrilha recebeu no total R$ 110 milhões e deve ter desviado cerca de R$ 50 milhões. Além de superfaturamento, eles entregavam as ambulâncias sem os equipamentos previstos da UTIs – explica o delegado.

Além dos ex-deputados, assessores de parlamentares e ministérios constam na lista dos presos. Só em Brasília foram detidas 20 pessoas, entre eles, Marcelo Carvalho Cardoso, assessor de imprensa do líder do PMDB no Senado, Ney Suassuna (PB), e Maria da Penha Lino, funcionária do Ministério da Saúde e ex-funcionária da Planam, empresa envolvida no esquema cujo dono Darci José Vedoin também foi preso. Marcelo, que já trabalhavahá dois ou três anos prestando atendimento aos prefeitos no gabinete do Senador, foi demitido nesta quinta-feira.