Ex-astronauta esmurra um cético de sua visita à lua

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Publicado quinta-feira, 12 de setembro de 2002 as 11:54, por: cdb

A CONSPIRAÇÃO

Há um boato, correndo em websites diversos, de que toda a Missão Apollo teria sido forjada, com produção de Stanley Kubrick e patrocínio da NASA. Alguns sites e algumas “análises” têm fundamento (o que não significa que estejam certos), mas até o momento nada realmente garante tal hipótese conspiracionista. A maioria dos que atacam a realidade da Missão Apollo cometem erros grosseiros de interpretação e desconhecimento de engenharia. Pra não dizer de política e história.

Em 1983, consegui uma entrevista exclusiva com Neil Armstrong, o primeiro Humano a pisar na Lua. Ele tinha um café da manhã marcado com vários jornalistas especializados em aeronáutica e espaço, mas enquanto o aguardávamos, seu assistente cancelou. O desapontamento foi geral.

Como estudo os programas espaciais Americano e Soviético toda a minha vida, fiquei especialmente desapontado.

Ao terminar o café, que aconteceu no próprio hotel em que Armstrong estava, todos se foram. Notei um telefone no hall do restaurante vip e liguei para a recepção, pedindo para falar com o quarto do “Sr. Armstrong”. Como a ligação era de dentro do próprio hotel, ninguém questionou nada. Acabei ligando diretamente para o quarto em que ele estava hospedado.

Neil Armstrong atendeu e, quando expliquei que queria somente fazer algumas perguntas e precisava de alguns minutos, respondeu: “Você teve ‘cara de pau’ de não aceitar o cancelamento… (suspirou, em desalento) … então que seja… eu concordo com a exclusiva, desde que você não me pergunte o que todo mundo pergunta…”. Era meu começo de carreira e aprendi rápido a não desistir facilmente. Mas foi quando notei que o que mais importunava ele (e provavelmente os outros astronautas) eram perguntas que já tinham escutado milhares de vezes sobre o pouso lunar.

Seja como for, os astronautas que participaram da Missão Apollo acabam escutando eternamente essas mesmas perguntas, dia-após-dia. Além disso, considerando que eles poderiam ter facilmente morrido naquelas “latas de sardinha espacial”, a própria sugestão de que nada disso tenha acontecido pode ser o bastante para fazer o sangue de um setuagenário ferver. Isso talvez explique porque um ex-astronauta de 72 anos esmurra um homem de 37 que duvida de sua palavra.

Seja como for, este caso é a ponta de um iceberg de dúvidas que começa a surgir e tende a crescer.

Aldo Novak é editor do Relatório Alfa
aldonovak@relatorioalfa.com.br