Ex-assessores de Garotinho envolvidos com remessa de dólares para o exterior

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Publicado sexta-feira, 10 de janeiro de 2003 as 15:07, por: cdb

Denúncias de corrupção envolvendo quatro funcionários do alto escalão do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, abalaram a estrutura de poder no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, que é gerido, atualmente, por sua esposa, Rosinha Matheus.

As denúncias dão conta de remessa e lavagem de mais de U$ 30 milhões para bancos da Suíça por homens de confança do ex-governador, que comandavam o fisco estadual e federal no Rio.

Nesta sexta-feira, Garotinho divulgou uma nota à imprensa, na qual pediu uma apuração rigorosa das denúncias e exigiu punição “para aqueles que usaram de má fé em meu governo”.

Além dos quatro funcionários do governo estadual, estão envolvidos outros quatro auditores da Receita Federal, todos investigados pelo Ministério Público.

Um dos acusados, o ex-subsecretário de Administração Tributária da Secretaria de Fazenda e ex-assessor de campanha da governadora Rosinha, Rodrigo Silveirinha Corrêa, já teve uma conta localizada em um banco suíço.

Ao tomar conhecimento, a governadora exonerou o assessor, que presidia o Conselho de Desenvolvimento do Estado.

A revista IstoÉ, que chegou às bancas nesta sexta-feira, traz uma reportagem completa sobre o escândalo.

Segundo a revista, a corrupção arruinou os cofres do estado do Rio, que não tem caixa para pagar os salários de dezembro do funcionalismo.

A revista conta que, em novembro, o Procurador Geral da República, Geraldo Brindeiro, recebeu das mãos de uma autoridade com cargo equivalente ao seu na Suíça, Brent Holtkmam, um dossiê traduzido para o português pela embaixada brasileira em Berna e que mostrou o resultado de uma escandalosa estrutura de corrupção montada dentro da Secretaria Estadual de Fazenda do Rio de Janeiro, com a conivência de auditores da Receita Federal.

O dinheiro, segundo a revista, saiu do Brasil por intermédio do Discount Bank and Trust Company, um banco suíço com sede em Genebra e que tem uma filial no centro financeiro do Rio.

Entre os envolvidos, além de Rodrigo Silveirinha Corrêa, estão o fiscal de rendas Carlos Eduardo Pereira Ramos, o ex-chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Fazenda, Lúcio Manoel dos Santos Picanço, e o fiscal Rômulo Gonçalves.

Os auditores da Receita Federal Sérgio Jacome de Lucena, Axel Ripoll Hamer, Hélio Lucena Ramos da Silva e Amauri Franklin Nogueira Filho também fariam parte do esquema.