Ex-assessor de Menem substitui vice-ministro argentino da Economia

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Publicado sexta-feira, 14 de dezembro de 2001 as 19:19, por: cdb

Um ex-secretário do governo de Carlos Menem é o novo vice-ministro da Economia da Argentina. Miguel Kiguel, que foi secretário do Financiamento durante parte da presidência de Menem, ocupará o cargo deixado por Daniel Marx, que pediu demissão nesta sexta-feira. Kiguel seria nomeado chefe de gabinete no lugar de Guillermo Mondino, mas a renúncia de Marx mudou os planos iniciais do ministro da Economia, Domingo Cavallo, e do presidente Fernando de la Rúa.

As razões da saída de Marx seriam suas diferenças com Cavallo sobre a troca internacional da dívida externa do país. Apesar disso, Marx permanecerá como assessor do governo até que o processo de negociação da dívida seja finalizado. “Eu falei com o ministro Cavallo, e nós concordamos que eu devo continuar no coração das negociações da dívida, que não é conveniente realizar uma troca neste momento”, disse o ex-vice-ministro.

Com a confirmação da renúncia, já são três os funcionários do gabinete de Cavallo que deixaram seus cargos desde o final de outubro. Segundo analistas, a renúncia de Marx deixa o governo do presidente Fernando de la Rúa sem um dos homens mais importantes da equipe econômica. E isso em um momento delicado.

Um dia antes da renúncia, os escritórios, as fábricas e o transporte público do país foram paralisados em uma greve geral. Trabalhadores furiosos foram para as ruas das cidades argentinas, tocando tambores e gritando slogans. Em várias cidades, ocorreram choques violentos entre a polícia e os manifestantes. A maioria culpa o ministro Cavallo por suas dificuldades. Com um déficit público de US$ 132 bilhões, a necessidade da Argentina por dinheiro é tão grande que o governo tem emitido vales públicos para pagar sua antiga dívida com os pensionistas do país.

Não há saídas rápidas para a crise econômica da Argentina. Se for incapaz de pagar seu imenso déficit, o país poderá realizar o maior calote de dívida externa já realizado por qualquer nação. Mas encontrar dinheiro para pagar esse déficit é um desafio difícil.

Um das maneiras de impulsinar a economia do país seria a desvalorização do peso. Isso reduziria os preços dos produtos argentinos fora do país e, conseqüentemente, impulsionaria as exportações. Porém, como a dívida do país está em dólares, uma desvalorização poderia tornar o pagamento das dívidas muito mais díficil.

Outra opção seria a dolarização da economia, o que substituiria os pesos por dólares. Segundo analistas, a medida eliminaria o risco cambial do país e permitiria a queda das taxas de juros.