Evo Morales ameaça oposição com levante popular

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Publicado quinta-feira, 16 de novembro de 2006 as 21:48, por: cdb

O presidente da Bolívia, Evo Morales, advertiu nesta quinta-feira que o povo se levantará se a oposição de direita que controla o Senado do país resistir à aprovação das reformas à lei de terras.

– Se alguns parlamentares não quiserem modificar a lei INRA (Instituto Nacional de Reforma Agrária, vigente desde 1996), o povo vai se levantar para modificar à força -, Morales.

– Acredito na força do povo, porque a força do povo é a força motriz que faz a história -, insistiu, ao recordar o bloqueio de estradas de 2004 por parte de seus cocaleiros de Chapare, o que obrigou o antigo Congresso a modificar a lei de hidrocarbonetos.

O governante rompeu relações com organizações vinculadas a produtores agropecuários da rica província de Santa Cruz (leste), epicentro de sua política agrária, que consiste na reversão ao Estado de locais improdutivos em mãos de particulares.

– Não haverá consenso com latifundiários -, sentenciou Morales, durante entrevista à imprensa no palácio presidencial de Quemado.

Ele denunciou também que “algumas famílias” de Santa Cruz e os distritos amazônicos de Pando e Beni, também foco de suas reformas agrárias, “não querem entender” sua política de redistribuição de terras fiscais a indígenas e camponeses pobres. Morales descartou de antemão a busca de consensos com a agrupação de oposição “Podemos”, do ex-presidente conservador Jorge Quiroga, e organizações empresariais para a aprovação de reformas na lei de terras.

– Nunca houve consensos (no Congresso em anos passados). O povo votou pela mudança e a mudança é acabar com o latifúndio. (…) As terras improdutivas têm que ser expropriadas legalmente -, afirmou.

A advertência foi feita horas depois de a Câmara dos Deputados aprovar, após dois dias de negociações, as modificações à lei agrária.

A norma será analisada agora no Senado, onde 13 das 27 cadeiras estão nas mãos do Podemos, que antecipou que não aprovará as mudanças.