Evo: ‘Democracias servís’ acabaram na América Latina

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Publicado sexta-feira, 19 de janeiro de 2007 as 12:32, por: cdb

Presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou a jornalistas nesta sexta-feira, após uma corrida no calçadão de Copacabana, que chegou ao fim o período de “democracias servis” na América Latina. Na opinião do líder socialista boliviano, somente Cuba lutava pela independência em oposição aos Estados Unidos mas, atualmente, outros países já seguem este exemplo.

– Se antes havia apenas um povo, um presidente, um comandante como Fidel (Castro, premiê cubano), hoje se somam outros como o presidente Chávez (da Venezuela), que eu respeito muito – afirmou.

Evo, em um balanço de seu primeiro ano à frente do governo boliviano, destacou as melhorias econômicas geradas para o povo de seu país, como a criação de um banco de fomento. No campo econômico, a discussão sobre o preço de venda do gás boliviano para empresas brasileiras voltou a ser discutido nesta sexta-feira pelos presidentes da Bolívia e Brasil. O encontro de Evo com Luiz Inácio Lula da Silva foi confirmado pelo presidente boliviano, que voltou a defender o reajuste do preço do gás vendido para o Brasil.

– Estou seguro que há uma vontade política do presidente Lula para resolver esse tema. Se a Argentina nos compra a US$ 5 (por milhão de BTU), não é possível que em uma região como Cuiabá se venda gás a US$ 1,90. O que queremos e pedimos é um preço real e não um preço solidário – disse Evo, mencionando o valor pago por uma termelétrica privada brasileira no Mato Grosso.

Ao ser questionado especificamente sobre as negociações com a Petrobras, Evo afirmou acreditar que a estatal brasileira é “compreensível e sensível” a esse tema.

– Há um preço real de custo, por isso estamos fazendo a comparação. Temos alguns países a 5 dólares por milhão de BTU e alguns países a um dólar. É preciso buscar um certo equilíbrio – afirmou.

O presidente boliviano acrescentou que seu país precisa recuperar a sua situação econômica para melhorar as condições de vida da população boliviana.

Estatização

Evo Morales acrescentou, na entrevista, que seguirá com os planos de nacionalizar o setor de mineração da Bolívia após decisão, no ano passado, de assumir o controle sobre indústrias de petróleo e gás do país.

Na coletiva, Evo disse que seu governo está estudando com cuidado detalhes do plano. Ele informou que não será uma nacionalização de todo o setor de mineração.

– Precisamos de sócios, não de patrões. Não queremos expropriar, mas o Estado tem que exercer o direito de propriedade sobre seus recursos naturais – afirmou.

O presidente boliviano disse ter muita “confiança” no companheiro brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e disse que uma reunião entre os dois governos (técnicos, ministros e embaixadores) está marcada para o dia 14 de fevereiro. Na pauta, assuntos como agropecuária, energia, crédito e infra-estrutura.