Europa detecta aumento de ataques a judeus

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Publicado quarta-feira, 31 de março de 2004 as 10:43, por: cdb

Os ataques contra judeus aumentaram em vários países da União Européia, especialmente na França, disse um relatório do bloco divulgado nesta quarta-feira. Os principais responsáveis pelas agressões são jovens brancos.

O documento elaborado pelo Centro de Monitoramento Europeu sobre o Racismo e a Xenofobia (EUMC) contrapõe um estudo alemão do ano passado segundo o qual jovens árabes e muçulmanos eram os principais responsáveis pelas agressões contra os judeus.

“Houve um aumento no número de incidentes anti-semitas em cinco países-membros da UE”, disse o EUMC. Os países são a Bélgica, a França, a Holanda, a Grã-Bretanha e a Alemanha. ”Apesar de não ser fácil generalizar, o maior grupo de agressores parece ser de jovens brancos europeus do sexo masculino.”

“Uma outra fonte do anti-semitismo em alguns países são jovens muçulmanos vindos do norte da África ou da Ásia. Geralmente, os grupos anti-semitas de extrema direita contribuem para disseminar o sentimento”, disse o documento.
De longe, o maior aumento no número de agressões anti-semitas foi registrado na França, onde o número de incidentes cresceu seis vezes em 2002. Organizações judaicas acusaram a Comissão Européia de anti-semitismo depois de a EUMC, uma agência independente da UE, ter se recusado, inicialmente, a divulgar o relatório alemão sob suspeita de que o documento havia sido elaborado para incriminar os imigrantes muçulmanos e os grupos pró-palestinos. 

A Comissão e os grupos judaicos acabaram resolvendo suas diferenças e realizaram uma conferência conjunta em janeiro sobre o combate ao anti-semitismo. A EUMC divulgou o documento alemão, com ressalvas.

O novo relatório registrou em 2002, na França, 313 incidentes racistas ou xenófobos, dos quais 193 foram dirigidos contra a comunidade judaica. O número é seis vezes maior que o registrado no ano anterior.
Na Bélgica, o número de ataques dobrou. Na Alemanha, o número de atos anti-semitas caiu em 2002, mas os incidentes envolvendo violência aumentaram de 18 em 2001 para 28 em 2002.
Os atos de anti-semitismo foram raros na Grécia, Áustria, Itália e Espanha, mas a agência disse que o discurso nestes países era “particularmente rancoroso” no dia-a-dia.