EUA tiveram ajuda européia em operações ilegais da CIA

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 7 de junho de 2006 as 10:20, por: cdb

Um relatório elaborado pelo legislador suíço Dick Marty, do Conselho da Europa, denuncia, em 67 páginas, a “rede” dos serviços secretos americanos no mundo e acusa países como Alemanha, Espanha, Turquia e Chipre de servirem de “plataforma” de vôo.

Segundo o relatório, divulgado em entrevista coletiva, estes países teriam sido colaboradores “ativos ou passivos” na transferência de supostos terroristas em vôos da CIA. Os países teriam ajudado o serviço de inteligência americano servindo como “plataforma”.

O documento também considera possível que a Polônia e a Romênia tenham abrigado centros ilegais de detenção da CIA.

O primeiro-ministro polonês Kazimierz Marcinkiewicz reagiu ao relatório e disse que a afirmação sobre a aterrissagem na Polônia de aviões da CIA com presos suspeitos de terrorismo são “calúnias infundadas”. Ele não falou, no entanto, sobre a possível existência de centros ilegais de detenção da CIA.

– Embora ainda não haja provas no sentido clássico do termo, um número de elementos coerentes e convergentes indica que existiram na Europa centros de detenção secretos – disse Marty.

O relatório cita, além disso, Irlanda, Reino Unido, Portugal, Grécia e Itália como “escalas” européias dos vôos de “transferências ilegais” de supostos terroristas. E acrescenta como “pontos de embarque pontual” aeroportos da Suécia, Macedônia, Bósnia, entre outros países europeus.

– Está claro agora que autoridades de vários países europeus participaram ativamente com a CIA destas atividades ilegais. Outros países as ignoraram com pleno conhecimento, ou não quiseram saber delas – afirma Marty no informe.

– Alguns países incluídos na “rede” da CIA pelo relatório – e outros não citados – podem ser considerados como responsáveis de conluio ativo ou passivo (no sentido de ter tolerado ou ter sido negligente) a respeito das detenções secretas e das transferências ilegais de um número não  específico de pessoas, cuja identidade ainda não se conhece – afirma.

A investigação parlamentar do Conselho da Europa elaborou um mapa com vários pontos de aterrissagem dos aviões da CIA classificados em diferentes categorias. Os pontos recebiam aviões civis e militares.

As classificações variam entre “simples escalas” e “autênticas plataformas” e “circuitos de entregas”, onde equipes da CIA “especialmente formadas para essas tarefas descansavam e preparavam suas missões”, diz o relatório.

O mapa é completado por centros de detenção conhecidos (como Guantánamo, Cabul e Bagdá) e outros pontos suspeitos de haver servido de plataforma para o embarque de presos. O relatório estuda em profundidade dez casos específicos.

O documento conclui que os Estados Unidos iniciaram “efetivamente” um sistema “repreensível” e “criticável” e que, somente graças à intencionalidade ou a negligência grave dos parceiros europeus, a atividade pôde “alcançar o continente europeu”.

– Só se conhece uma parte da verdade e outros países podem ser descobertos nas próximas investigações – conclui Marty.