EUA têm plano de combate à resistência em Bagdá

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Publicado sexta-feira, 7 de março de 2003 as 17:49, por: cdb

Se Saddam Hussein decidir armar uma resistência final em Bagdá, o exército americano pretende enviar tropas ao centro da cidade em uma campanha terrestre e área contra centros do governo, afirmou o comandante das forças americanas no Kuwait.

O objetivo é evitar um conflito sangrento prolongado que tire as vidas de um grande número de americanos e iraquianos, afirmou. O plano também forneceria um cerco extenso, que poderia deixar o líder iraquiano em controle de sua capital e em posição para explorar a preocupação mundial sobre o destino de seus cidadãos.

Em uma entrevista no centro de operações americano no nordeste do Kuwait, o tenente-general William S. Wallace delineou uma estratégia que pede paciência e vigilância, concentrada em ataques aéreos com aviões da Força Aérea e helicópteros do Exército, além de penetrações no centro de Bagdá com formações blindadas, infantaria e engenheiros de combate.

“Estou falando sobre o ataque de fontes de força para o regime iraquiano, mas precisamos ser cuidadosos nesse ataque, para que não tenhamos grandes grupos de americanos presos em operações de casa em casa, um cenário parecido com a Segunda Guerra Mundial”, disse Wallace.

Wallace é responsável pela força do exército posicionada para invadir o Iraque. Seus comentários representaram a mais extensa declaração dos planos do exército americano, se houver a guerra, em tomar Bagdá.

As declarações parecerem sinalizar a Saddam que o exército americano não evitará o conflito urbano, e garantir aos americanos e ao mundo que esforços estão sendo feitos para manter o número de mortes baixas.

“Se há de haver um confronto em Bagdá, nós temos que ser muito pacientes para estabelecer as condições certas de luta”, disse Wallace. “Isso significa garantir que o espaço aéreo de Bagdá estará disponível para nossa Força Aérea, para que possamos usar nossa capacidade de precisão contra alvos na cidade, sem causar um dano extenso”.

“Eu acho que isso significa formar equipes conjuntas de combate que incluam a Força Aérea, a aviação do Exército, infantaria, forças armadas, forças de engenharia que juntas possam ir a alvos específicos, para um propósito específico”.

Apesar de o presidente Bush ainda não ter ordenado um ataque para depor Saddam, está claro que as preparações para a guerra estão avançando. O número de soldados da Quinta Corporação se aproxima de 35 mil, e não pára de crescer.

O exército americano espera que o governo iraquiano sofra um colapso rápido sob um ataque aéreo e pressão psicológica das forças americanas, poupando os soldados do combate direto em Bagdá.

Mas oficiais não contam com essa possibilidade. Eles dizem que a estratégia de Saddam é usar tropas regulares no sudeste do Iraque para atrasar o avanço americano e causar mortes, mantendo as divisões da Guarda Republicana, as forças de elite de Saddam, perto de Bagdá para um maior confronto.

“Eu acho que ele só deixará Bagdá como última escolha”, disse. Wallace indicou que os EUA não pretendem realizar um cerco prolongado na capital iraquiana. As forças terrestres americanas não permaneceriam nos subúrbios da cidade por semanas, esperando a queda de Saddam.

“Eu estou falando em uma questão de dias”, disse. “Não estou falando sobre uma invasão em um centro populacional urbano que não conhecemos, entretanto”.

Os iraquianos estabeleceram dois anéis de defesa ao redor de Bagdá, de acordo com a inteligência americana. O anel externo deve defender o grupo de ataques americanos e o outro anel deve ajudar a manter a segurança nacional, dizem oficiais de inteligência.

O governo iraquiano aumentou as patrulhas nas áreas xiitas da cidade, restringiu os movimentos de importantes figuras xiitas e alertou a população a não ouvir as transmissões americanas. “Ele é um inimigo pensante”, declarou o coronel Steven J. Boltz, chefe de inteligência da Corporação, sobre Saddam. “Ele fez ajustes”.

O primeiro passo em qualquer confronto em Bagdá