EUA sabiam que o Iraque não utilizaria armas químicas

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Publicado quarta-feira, 18 de junho de 2003 as 11:08, por: cdb

No ano passado, os analistas da inteligência americana reportaram à Casa Branca que o governo de Saddam Hussein estava posicionando armas químicas. Mas eles indicaram que Bagdá certamente não utilizaria esses artefatos, a menos que a sobrevivência do governo estivesse em jogo. As informações foram confirmadas por fontes da administração Bush na terça-feira.

Em um extenso relatório em novembro, a Defense Intelligence Agency afirmou que o Iraque provavelmente não utilizaria armas não-convencionais enquanto existissem as sanções da ONU contra o país. Saddam utilizaria as armas apenas em “circunstâncias extremas”, concluiu o estudo da DIA, “porque sua utilização confirmaria a evasão do Iraque às restrições da ONU”, indicou o relatório. Partes do documento foram lidas por uma autoridade da espionagem para um repórter.

Segundo o relatório de novembro da DIA, que ainda é secreto, a maior parte dos analistas acreditava que o Iraque possuía armas ilegais, mas que Saddam não as utilizaria ou partilharia com os terroristas.

O relatório também oferece um contexto mais completo para as declarações apresentadas no último outono (no hemisfério norte) por George J. Tenet, diretor da CIA. Em uma carta ao Congresso, ele afirmou que o Iraque poderia usar suas armas, mas apenas se fosse atacado. O relatório da DIA e a carta de Tenet não contestam que o Iraque possuía armas químicas ou outros artefatos ilegais.

A existência do relatório de novembro foi inicialmente revelada no U.S. News & World Report na sexta-feira, levando as autoridades americanas a defender as avaliações da inteligência apresentadas antes da guerra e que indicavam que o Iraque possuía armas ilegais.

Em comentários públicos antes da guerra, as altas autoridades do governo Bush sustentaram que o Iraque possuía armas ilegais que representavam uma ameaça aos EUA, seja diretamente ou porque elas poderiam ser cedidas aos terroristas.

Alguns analistas, autoridades e críticos democratas do governo Bush alegaram que a Casa Branca exagerou em suas avaliações sobre a ameaça representada pelas armas do Iraque e suas supostas ligações com a Al-Qaeda.

Segundo sugere o relatório da DIA, antes da guerra havia um consenso nas agências de espionagem que Iraque ainda possuía algum tipo de programa para construir armas ilegais. Mas havia intensos debates sobre a possibilidade do Iraque utilizá-las contra os EUA.

As armas químicas não foram utilizadas durante a guerra.

Mas além de uma invasão completa do Iraque, os analistas da DIA não viam muitas situações que Saddam pudesse recorrer às armas não-convencionais, evidencia o relatório.