EUA rejeitam mudanças em plano para o Iraque

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Publicado quarta-feira, 8 de outubro de 2003 as 10:38, por: cdb

Os Estados Unidos descartaram a possibilidade de fazer mudanças substanciais no seu projeto de resolução sobre o Iraque em discussão no Conselho de Segurança da ONU.

O atual formato do projeto prevê uma função para a ONU na reconstrução iraquiana, mas o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, criticou o texto dizendo que o papel político das Nações Unidas no processo ficaria muito limitado.

O embaixador americano na ONU, John Negroponte, afirmou na terça-feira que os membros do Conselho de Segurança “não devem esperar nenhuma mudança significativa ou radical na resolução”.

“Acreditamos ser uma boa resolução. Ela leva em consideração muitos dos comentários feitos anteriormente pelas delegações.”

Oposição

França, Rússia e Alemanha também apresentaram queixas semelhantes às de Kofi Annan. Paris fez um chamado por um papel maior para a ONU no Iraque.

Funcionários da ONU já revelaram sua intenção de não atuar na consolidação do futuro político do Iraque a menos que Washington altere seus planos para o país.

O projeto de resolução prevê que a transição política ocorra o mais rápido possível e faz um chamado aos países-membros da ONU a contribuir para a formação de uma força multinacional de manutenção de paz.

O correspondente da BBC na ONU, Greg Barrow, diz que Washington parece manter seus planos iniciais para o Iraque pós-guerra.

A coalizão que ocupa o país manteria o seu papel central, tendo como coadjuvantes a ONU e o Conselho de Governo Iraquiano.

Os opositores dos planos americanos defendem uma transição rápida para garantir a soberania iraquiana, seguida da formulação de uma Constituição escrita e de eleições.

Segundo a agência Reuters, que cita diplomatas que preferiram não se identificar, dos 15 membros do Conselho de Segurança, França, Rússia, Alemanha, China e Síria devem optar pela abstenção numa votação sobre o texto da resolução.

Grã-Bretanha, Espanha e Bulgária vão apoiar a proposta dos Estados Unidos. Os outros seis membros – Chile, México, Paquistão, Angola, Camarões e Guiné – fizeram críticas ao projeto, mas poderiam apoiá-lo sob pressão de Washington.