EUA querem estender a guerra para a América do Sul

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 26 de março de 2003 as 18:54, por: cdb

O chefe do Comando Sul, James Hill, se reuniu nesta quarta-feira, em Miami, com os mais altos comandos das Forças Armadas do Equador e Colômbia, Oswaldo Jarrín e Jorge Enrique Mora, para insistir em sua demanda de regionalizar o Plano Colômbia.

Após 8 dias de sua visita ao Equador, onde promoveu uma ativa participação do país na estratégia militar dos EUA na América do Sul, James Hill pretende, nesta reunião, impor o Plano de Atividades proposto pelo Pentágono. Seu conteúdo específico não se fez público, exceto a informação de que se trata de uma cooperação para enfrentar ameaças comuns: “a luta contra o narcotráfico e a proteção das fronteiras dos países atingidos” e que “os generais não receberam informação sobre que tipo de ajuda receberão”, como explicou Raúl Duany, porta-voz do Comando Sul.

Em seu propósito de asfixiar a guerrilha, o Pentágono quer que o Equador feche sua fronteira com a Colômbia, para bloquear o que eles consideram uma fonte de abastecimento das FARC. Mas uma decisão desse gênero, e por ordem de uma potência estrangeira, além de ser um ato de intervenção em um conflito interno de um país soberano, afetaria severamente o comércio entre as duas repúblicas, o que compreende uma parte significativa da economia de suas populações fronteiriças.

Washington, vem impulsionando, desde o início de seu Plano Colômbia, a concentração de milhares de soldados equatorianos com uma considerável capacidade de fogo nessa linha de fronteira, para impedir não somente o que poderiam ser incursões eventuais, senão, fundamentalmente, para cercar as FARC. As conseqüências da aplicação dessa exigência à Colômbia tiram a sua responsabilidade de cuidar das suas próprias fronteiras e transfere esta tarefa ao exército equatoriano, com todos os custos humanos e econômicos que possam implicar. Somado a isso, ainda há o risco do Equador participar militarmente no conflito, logo que aconteçam os primeiros enfrentamentos armados, como os promovidos por paramilitares, na fronteira sul da Venezuela, onde camponeses venezuelanos foram mortos pela Auto Defesas Unidas da Colômbia (AUC). Isso ocorreu, porque a AUC ameaçou ficar em território venezuelano, um ato de clara provocação à Caracas, dirigido para incluir militarmente a Venezuela no conflito.

EUA demanda, também, a proteção do Convênio que lhe cedeu à Base de Manta, onde instalou um denominado Centro de Operações Avançadas (FOL), o qual já se encontra operando 100 por cento e registrou, no último ano, 1.028 vôos para a região. O Convênio foi denunciado por ter sido assinado, sem observar as normas constitucionais do Equador, e pelos EUA terem violado estas normas ao entregarem seu manejo logístico à questionada empresa Dyn Corp, acusada de atividades criminosas na Iugoslavia e de narcotráfico na Colômbia.

A violação por parte dos EUA de todas as normas internacionais, na guerra que hoje acontece contra o Iraque, e os crimes que estão cometendo em sua ofensiva, destaca o perigo que cerca o Equador, Colômbia, Venezuela, Brasil e América do Sul em seu conjunto. Isso faz parte da determinação do Chefe do Comando Sul, James Hill , de regionalizar o Plano Colômbia.

*Marcelo Larrea é Diretor do jornal “El Sucre”.