EUA podem iniciar ataque antes do fim do prazo

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Publicado quarta-feira, 19 de março de 2003 as 08:44, por: cdb

Militares americanos não descartam a possibilidade de iniciar um ataque contra o Iraque antes do fim do prazo de 48 horas dado pelo presidente George W. Bush para Saddam Hussein deixar o país.

Os oficiais afirmam que a Casa Branca não se sente obrigada a esperar até às 22h (horário de Brasília) desta quarta-feira – hora marcada para o fim do prazo, segundo o ultimato – para começar a ofensiva, já que Saddam já deixou claro que não pretende deixar o país.

Enquanto isso, as forças da coalizão lideradas pelos Estados Unidos se preparam para o ataque: soldados já estão atravessando o deserto do Kuwait para assumir posições para uma invasão e helicópteros já estão levando tropas para pontos estratégicos.

A força da coalizão reúne tropas ou ajuda de 30 países, além de outros 15 que – segundo o departamento de Estado americano – estariam dispostos a oferecer apoio na forma de autorização de uso do espaço aéreo nacional, apesar de não quererem se manifestar publicamente a favor do ataque.

Lista de apoio

Entre os 30 países da lista divulgada pelo departamento de Estado americano, poucos são os que terão presença marcante no Golfo. Entre eles, claramente se destacam a Grã-Bretanha e a Austrália.

A lista da coalizão deixa de fora todos os países do Oriente Médio, mesmo os que acolhem tropas americanas, como Kuwait, Catar e Bahrain. Nem Israel, o principal aliado americano na região, foi incluído.

Outros aliados tradicionais, como o Egito e a Arábia Saudita, também evitaram se associar formalmente à ofensiva contra Saddam Hussein.

Entre os países que aceitaram entrar na lista estão Estônia, Lituânia, Letônia, Bulgária, Geórgia, Uzbequistão, Filipinas e Afeganistão.

Polônia e Romênia também participam da “coalizão dos dispostos” fornecendo soldados e bases, respectivamente.

O Japão, que deve limitar a sua ação no Iraque ao fornecimento de linhas de crédito para a reconstrução do país depois da guerra, está na lista, bem como a Turquia, que até o momento não se decidiu se vai permitir a entrada de tropas americanas no país da forma que os Estados Unidos pretendem.

Tática

Enquanto isso, o vice-comandante do Exército americano, John Keane, deu sinais de que um ataque aéreo inicial deverá ser seguido, prontamente, por uma ofensiva por terra.

Ele afirmou a um comitê do Congresso americano que as forças americanas eram capazes de realizar várias ações simultâneas – o que não era possível na Guerra do Golfo, em 1991.

Segundo a agência de notícias Reuters, a estratégia de guerra dos Estados Unidos prevê ataques curtos e eficazes, utilizando, provavelmente, mísseis de longo alcance Tomahawk, bombas “inteligentes”, detonadores de abrigos e bombas eletrônicas (que causam pane em sistemas de computadores) para derrotar as tropas de Saddam.

Já os iraquianos – incomparavelmente menos equipados para a guerra – devem optar por uma estratégia de guerrilha e guerra urbana, concentrando a sua resistência nos arredores de Bagdá.

De acordo com os analistas entrevistados pela Reuters, a tática iraquiana seria surpreender a coalização com baixas, na esperança de que as mortes e os protestos antiguerra minem a disposição dos invasores.