EUA podem atacar Irã como último recurso no combate a armas nucleares

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Publicado sexta-feira, 20 de junho de 2003 as 21:40, por: cdb

Os Estados Unidos se reservam o direito como último recurso, de agir militarmente contra o Irã para impedir que esse país produza armas nucleares, declarou nesta sexta-feira o subsecretário de Estado americano, John Bolton.

– Mas essa opção está, por enquanto, muito distante de nosso espírito – acrescentou ele em entrevista à BBC, e em meio a dois novos casos de iranianos que, pela manhã, tentaram se imolar na capital britânica como protesto pela detenção, em Paris, de 165 supostos membros do movimento extremista Mujahedin do Povo.

Bolton lembrou que o presidente americano, George W. Bush, declarou em várias ocasiões que, no caso iraniano, todas as opções estavam sobre a mesa, ressalvando, porém, que uma intervenção (militar) não só não era uma preferência dos Estados Unidos como estava longe de seu espírito.

Mas quando indagado sobre a possibilidade de um ataque militar, foi categórico.

– Essa deve ser uma opção – disse Bolton.

Além de subsecretário de Estado, ele é encarregado do controle de armamentos e de segurança internacional dos EUA.

Em Moscou, o ministro russo de Energia Atômica, Alexandre Rumaniatsev, disse que seu país só fornecerá combustível nuclear ao Irã se este país se submeter integralmente às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

A propósito, o governo iraniano reagiu nesta sexta às exigências da AIEA de cooperação do Irã e acesso irrestrito de seus inspetores às instalações nucleares do país.

Informou que não vai permitir que os inspetores colham amostras do meio ambiente, uma das principais reivindicações da AIEA para determinar se Teerã desenvolve ou não um programa militar atômico.

Os iranianos que tentaram o suicídio pelo fogo na capital britânica foram socorridos com rapidez e, aparentemente, sofreram apenas queimaduras leves. Eles participavam de protesto diante da sede da Embaixada da França.

Dos 165 iranianos presos na quarta-feira, 22 continuam detidos e submetidos a interrogatório, entre eles Maryan, mulher de Masud Radjavi, líder máximo dos Mujahedin do Povo. Nesta sexta, o juiz Jean-Louis Bruguere prorrogou por mais 48 horas a detenção dela.

As autoridades francesas querem esclarecer a origem de quase US$ 8 milhões encontrados em poder do grupo, classificado de terrorista pelos EUA e União Européia.

Nesta sexta, refugiados iranianos voltaram às ruas de Paris para protestar contra as prisões, apesar da proibição das autoridades policiais. Desde quarta-feira, 208 manifestantes foram presos. Segundo a polícia, para impedir que se imolassem.