EUA não acreditam na Coréia do Norte

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Publicado sábado, 21 de outubro de 2006 as 11:31, por: cdb

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, manifestou dúvidas sobre notícias de que a Coréia do Norte concordou em não realizar um segundo teste com bomba atômica.

– Eu não sei se (o presidente da Coréia do Norte) Kim Jong-il disse ou não tal coisa – afirmou neste sábado, a jornalistas em um vôo de Pequim para Moscou, onde Rice mantém conversações com líderes russos sobre a implementação de sanções das Nações Unidas contra a Coréia do Norte, pelo primeiro teste nuclear realizado no dia 9 de outubro.

O presidente da Coréia do Norte, Kim Jong-il, teria dito ao enviado especial do governo chinês, Tang Jiaxuan, que não planeja realizar novos testes nucleares, de acordo com a agência de notícias japonesa Kyodo.

A informação foi passada para a agência pelo ministro das Relações Exteriores do Japão, Taro Aso, que teria conversado com autoridades chinesas.

O comentário de Aso coincidiu com a informação divulgada pela agência de notícias sul-coreana Yonhap, que também citou uma declaração do enviado chinês. O líder norte-coreano teria dito que seu país “não tem planos para testes nucleares adicionais”, durante visita de Tang, na quinta-feira.

Mas Rice, que esteve na China em sua missão para buscar apoio à adoção de sanções contra a Coréia do Norte, disse: “Tang não me disse que Kim Jong-il pediu desculpas pelo teste ou que nunca mais vai realizar teste novamente.”

Ameaça

O correspondente da BBC em Moscou, James Rodgers, disse que as autoridades russas consideram o teste nuclear norte-coreano uma ameaça à paz, à segurança e à estabilidade.

O Kremlin deixou claro que não vê com bons olhos uma Coréia do Norte armada, mas não se consideram sob risco iminente, segundo Rodgers.

O ministro da Defesa russo, Sergei Ivanov, disse que as sanções devem ser suspensas se a Coréia do Norte voltar à mesa de negociações.

Rice também pode falar sobre a questão do Irã e buscar apoio russo para sanções sobre seu suposto programa de armas nucleares, em suas reuniões com Ivanov, o presidente Vladimir Putin e o ministro do Exterior, Sergei Lavrov, disseram analistas.

As difíceis relações da Rússia com a Geórgia e o assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya também podem ser incluídos na pauta americana.

Rice desembarcou na Rússia após três dias de intensas negociações na Ásia para reforçar resolução do Conselho de Segurança acertada no sábado passado em resposta ao teste nuclear norte-coreano.

A representante americana já esteve no Japão, Coréia do Sul e China.

As sanções incluem a proibição do comércio de tanques, helicópteros e mísseis, assim de como tecnologia nuclear e de mísseis com a Coréia do Norte; inspeção de navios entrando e saindo do país; proibição da venda de bens de luxo e proibição de viagens de pessoas que trabalham em programas de armas e mísseis.

Um ex-presidente da Coréia do Sul, Kim Dae-Jung, advertiu que a Coréia do Norte pode lançar mão de força militar em resposta a sanções.

Em uma entrevista à agência de notícias americana Associated Press, Kim pediu à comunidade internacional que dialogue com a Coréia do Norte ao invés de isolar o país.