EUA intensificam ações em Bagdá após fechamento de fronteiras

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Publicado quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007 as 11:59, por: cdb

O Iraque fechou suas fronteiras com o Irã e a Síria nesta quinta-feira, dia em que soldados norte-americanos e iraquianos intensificaram as operações de segurança em Bagdá, montando mais postos de controle nos quais até mesmo comboios oficiais eram parados e revistados em busca de armas. Uma autoridade do Ministério do Interior, que não quis ter sua identidade revelada, disse que os quatro postos de fronteira com o Irã e os dois postos com a Síria haviam sido fechados na quarta-feira.

Há bastante tempo, autoridades dos EUA acusam a Síria de permitir que combatentes estrangeiros cruzem sua longa e porosa fronteira com o Iraque. E, no final de semana, essas mesmas autoridades apresentaram provas da existência de supostas armas fabricadas no Irã e contrabandeadas para dentro do território iraquiano.

– O plano de fechar as fronteiras entrou em vigor na noite passada. Muitos postos (de fronteira) foram fechados, mas não posso afirmar com certeza que todos foram fechados – disse à agência inglesa de notícias Reuters o tenente-coronel Christopher Garver, porta-voz das Forças Armadas dos EUA.

Nem o governo iraniano nem o governo sírio confirmaram a informação. Os dois países negam alimentar a situação caótica instalada no Iraque. O governo iraquiano afirmou que fecharia as fronteiras por 72 horas. Segundo declarações dadas pelos militares dos EUA na quarta-feira, o objetivo da medida era sufocar o fluxo de armas e de combatentes estrangeiros. A manobra apareceu enquanto milhares de soldados norte-americanos e iraquianos intensificavam uma ofensiva realizada em Bagdá, epicentro da violência sectária que opõe sunitas e xiitas e que ameaça atirar o país em uma guerra civil descontrolada.

Especialistas em questões militares afirmam que muitos milicianos, evitando entrar em confronto com as forças dos EUA e do Iraque, devem ficar escondidos ou permanecer longe de Bagdá enquanto a operação continuar. Na última semana, um número menor de integrantes da milícia Exército Mehdi, do clérigo radical Moqtada al-Sadr, pôde ser visto nas ruas da favela Sadr City, em Bagdá, reduto do grupo.

Vários comandantes da milícia já teriam abandonado a cidade a fim de evitar serem presos. Os EUA disseram que o Exército Mehdi é a maior ameaça à estabilidade do Iraque, e centenas de integrantes da milícia já foram detidos. Militares norte-americanos e autoridades iraquianas afirmaram que o próprio Sadr havia deixado o Iraque antes da operação de segurança. Mas o primeiro-ministro iraquiano, Salam al-Maliki, disse que o clérigo continuava no país.

Segundo o principal porta-voz das Forças Armadas dos EUA no Iraque, major-general William Caldwell, os postos de fronteira devem ser reformados para permitir que veículos sejam revistados em “pontos de transferência”. Os militares norte-americanos disseram na semana passada que a operação de segurança em Bagdá já estava sendo realizada, mas os moradores da cidade não notaram isso claramente até quarta-feira, quando os postos de controle começaram a se espalhar pela capital.

A Operação Impondo a Lei vem sendo descrita como o derradeiro esforço para pacificar a cidade. Autoridades xiitas avisaram que o eventual fracasso dela poderia significar o colapso do atual governo iraquiano, comandado por xiitas.

O presidente dos EUA, George W. Bush, deve enviar ao Iraque mais 17 mil soldados para participarem da operação.