EUA e Iraque mobilizam tropas e armas à espera da guerra

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Publicado sexta-feira, 14 de março de 2003 as 10:00, por: cdb

À espera de um possível confronto militar, os Estados Unidos e o Iraque estão fazendo suas últimas mobilizações de tropas e armas no Mediterrâneo e no Golfo Pérsico.

Enquanto navios de guerra norte-americanos deslocam-se para o Mar Vermelho e comandantes iraquianos enviam soldados e artilharia antiaérea para o sul do país, perto da fronteira com o Kuwait, o Pentágono planeja uma primeira noite de ataques estarrecedores o suficiente para incentivar o adversário à rendição.

Na quinta-feira, a primeira leva de bombardeiros B-2, imperceptíveis a radares, partiu da Base Whiteman da Força Aérea, no estado norte-americano do Missouri, em direção ao Golfo Pérsico.

Os Estados Unidos construíram instalações especiais na base britânica de Diego Garcia, no Oceano Índico, para acomodar as necessidades exclusivas do B-2. Isso significa que cada bombardeiro precisará de um número menor de missões de reabastecimento no ar caso as ordens sejam atacar alvos iraquianos.

O secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, assinou uma autorização para que pelo menos 10 navios equipados com mísseis, os quais se encontram no Mediterrâneo, sigam para o Mar Vermelho, disseram fontes militares.

No momento, os navios deslocam-se pelo Canal de Suez. São cruzadores, contratorpedeiros e submarinos, todos carregando mísseis Tomahawk, guiados por satélite e cujo raio de alcance é superior a 1.600 quilômetros.

Funcionários do Pentágono esquivaram-se de dizer, com exatidão, quantos navios estão envolvidos nas manobras, mas revelaram que são entre 10 e 15.

Nas primeiras horas da eventual guerra, os navios poderão disparar centenas de mísseis contra o Iraque, cruzando a Arábia Saudita.
Devido à contínua resistência da Turquia em permitir sobrevôos aos aviões norte-americanos, o Pentágono teve que reformular sua estratégia de guerra.

Os porta-aviões USS Harry Truman e USS Theodore Roosevelt, que se encontram no Mediterrâneo, deverão, por enquanto, permanecer onde estão. As aeronaves de combate de ambos os navios fariam vôos sobre Israel e a Jordânia, o que encurtaria sua distância em relação ao Iraque e exigiria menores esforços de reabastecimento.

Fontes do Pentágono revelaram que os Estados Unidos ainda contam, por outro lado, por novidades de última hora, como a Turquia voltar atrás e abrir seu espaço aéreo. Neste caso, os porta-aviões poderiam sofrer um novo deslocamento.

Fronteira Iraque-Kuwait

No Kuwait, a despeito das tempestades de areia comuns nesta época, os Estados Unidos mantêm tropas ao longo da fronteira com o Iraque.
Cerca de 28 mil soldados da 101ª Divisão Aérea estão prontos para lançar ataques preventivos, com o objetivo de proteger campos de petróleo e fábricas de produtos químicos e biológicos.

Pequenos contingentes de soldados iraquianos permanecem à espera das forças norte-americanas.

As tropas norte-americanas parecem cientes de que uma ação militar é iminente.

“Sim, estamos prontos”, declarou o capitão John Andrew, do Esquadrão dos Cavaleiros Verdes. “Todo mundo teve tempo para se instalar e se acostumar com a área aqui no Kuwait”.

O general Tommy Franks, chefe do Comando Central dos Estados Unidos, cujo QG foi transferido para o deserto no Catar, é informado em primeira mão sobre as últimas manobras das forças iraquianas.
Bagdad enviou tropas e artilharias antiaéreas para o sul do Iraque, perto da fronteira com o Kuwait.

Um militar de alta patente dos Estados Unidos contou que dados do serviço de inteligência revelaram que pelo menos um tipo das baterias iraquianas tem capacidade para despejar agentes químicos no Kuwait.
Há pelo menos 125 mil soldados norte-americanos no Kuwait, muitos dos quais foram posicionados no deserto, no norte do país, e que estariam dentro do raio do alcance das alegadas armas químicas iraquianas.

Os Estados Unidos também alegam que o presidente Saddam Hussein estaria pretendendo usar armas químicas contra os próp