EUA e Grã-Bretanha bloqueiam entrada de alimentos e remédios no Iraque

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Publicado terça-feira, 25 de março de 2003 as 10:24, por: cdb

O Iraque acusou nesta terça-feira os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de obrigar as Nações Unidas a suspender o programa “petróleo-por-alimento”, que permitia que 25 milhões de iraquianos recebessem comida e remédios em troca da exportação de óleo cru.

“Nós condenamos esse comportamento imoral e desumano dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha de bloquear o programa ‘petróleo-por-alimento'”, declarou o ministro do Comércio iraquiano, Muhammad Mehdi Salih, em entrevista coletiva.

Salih acusou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, de se dobrar à pressão de Washington e Londres, que travam uma guerra para depor o presidente iraquiano, Saddam Hussein.

“Peço ao secretário-geral e à organização que autorizem imediatamente a entrada (no país) de alimentos e remédios e não se sujeitem à influência e à vontade do cruel governo norte-americano, se a ONU se importa com a paz e o bem-estar das pessoas”, afirmou.

O ministro disse ainda que a maior parte do carregamento de alimentos e remédios estava em navios, no mar, ou em caminhões, nas fronteiras com o Iraque, quando sua chegada ao país foi bloqueada.

Sob os termos de sanções aplicadas ao Iraque desde a crise e a Guerra do Golfo, de 1990-91, a ONU permite que o Iraque exporte petróleo para importar alimentos, remédios e outros itens de necessidade básica.

Contratos para a compra de mercadorias bem como para a venda de petróleo têm de ser aprovados pela ONU, que possui uma conta para esse programa no banco francês BNP-Paribas, em Nova York.

Mais de 21 bilhões de dólares estão no banco, afirmou Salih.