EUA dizem ter prova concreta do envolvimento de bin Laden nos atentados

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 1 de outubro de 2001 as 08:51, por: cdb

Os EUA pensam ter encontrado primeira prova do envolvimento de bin Laden com os atentados terroristas nos EUA, em 11 de setembro, a partir do rastreamento de dinheiro nas contas dos seqüestradores dos aviões que pulverizaram as Torres Gêmeas, em Nova Iorque, e destruíram parte do Pentágono, em Washington. Os recursos teriam sido transferidos da conta movimentada por Sheikh Saeed, também conhecido como Mustafa Mohamed Ahmad, na Arábia Saudita, para uma agência bancária na Flórida, onde se baseavam os terroristas suicidas.

Segundo os investigadores norte-americanos, houve transferência de dinheiro, cerca de US$ 500 mil, nos dias 8 e 9 de setembro, da conta de Ahmad, em Dubai, para a Mohamed Atta, que teria sido o piloto do primeiro avião a atingir uma das torres em Nova Iorque. Ahmad, segundo o serviço secreto britânico, é o responsável pela gerência financeira da organização Al-Qaida, presidida por Osama bin Laden. Houve também, segundo o Banco Central Europeu, o estorno de cerca de US$ 500 mil para aquela conta de Ahmad, por parte dos 19 terroristas suicidas, no que as autoridades financeiras chamam de “estorno” do capital não utilizado nos ataques praticados contra o WTC e o Pentágono.

Dinheiro congelado

O governo britânico afirmou ter congelado 61 milhões de libras (cerca de R$ 250 milhões) de pessoas ou organizações ligadas ao regime do Talebã, que controla a maior parte do Afeganistão.

O ministro da Fazenda da Grã-Bretanha, Gordon Brown, deve anunciar medidas mais duras para evitar a movimentação de recursos por parte de grupos terroristas no discurso que vai fazer nesta segunda-feira na conferência do Partido Trabalhista, em Brighton, no sul do paísa.

Brown vai dizer que o acesso fácil a esses recursos “é a energia que move o terrorismo”.

Ele também vai fazer um apelo a todos os países para que assegurem que os terroristas ou o seu dinheiro não tenham abrigo em nenhum lugar.

Mudanças na lei

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, também anunciou que pretende introduzir mudanças na lei para fechar o cerco em torno dos suspeitos de atos terroristas.

Entre as medidas estão o aumento do rigor nas regras de asilo político e maior velocidade nos processo de extradição.

Além disso, o governo quer impedir que as casas de câmbio sejam usadas para lavagem de dinheiro do terrorismo e tráfico de drogas.

Na semana passada, o governo britânico congelou uma conta que tinha ligações com o Talebã. Em todo o país, cerca de 61 milhões de libras foram bloqueadas.

O governo revelou que uma parte desse dinheiro já tinha sido bloqueado antes dos ataques aos Estados Unidos, com base numa resolução da ONU de combate ao terrorismo.

A nova legislação deve permitir que a polícia monitore contas bancárias e bloqueie recursos que considerar suspeitos logo no início das investigações.

Na semana passada, os Estados Unidos congelaram os fundos de Osama Bin Laden, da organização comandada por ele, Al-Qaeda, e de outros grupos suspeitos de envolvimento em ações terroristas.

O governo britânico também quer aumentar o controle nas casas de câmbio, depois de encontrar indícios de que elas estão sendo usadas na lavagem de dinheiro obtido de forma ilegal.

O governo estima que, dos 4 bilhões de libras (R$ 16 bilhões) movimentados por ano neste setor, somente 8% provém de turistas e 65% têm origem ilegal.

Efeitos econômicos

Gordon Brown também vai usar seu discurso na conferência do Partido Trabalhista para analisar o impacto dos atentados na economia.

O ministro deve dizer que a busca de uma economia doméstica estável é a melhor resposta aos terroristas.

Gordon Brown deve anunciar a manutenção dos gastos públicos nos níveis atuais, mas vai dizer que o cenário atual demanda mais disciplina nos gastos.