EUA dizem que guerra é questão de dias

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Publicado quinta-feira, 30 de janeiro de 2003 as 16:28, por: cdb

O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse nesta quinta-feira que se chegou a “um momento crítico” e que a evidência de que o líder iraquiano Saddam Hussein continua enganando a ONU “tem o tamanho do monte Everest”. Para Fleischer, as alternativas diplomáticas esgotam-se em questão de alguns dias apenas. Comentando uma proposta da Arábia Saudita para que o presidente Saddam Hussein deixe o poder e parta para o exílio, o porta-voz disse que seria uma forma “proveitosa” de resolver a crise pacificamente.

A proposta saudita deve ser discutida pelo presidente norte-americano, George W. Bush, e o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Saud al-Faisal, num encontro nesta quinta-feira, embora isso não tenha sido confirmado por Fleischer.

“Se Saddam Hussein for para o exílio, isso será um evento muito proveitoso para o mundo…quanto mais pressão houver sobre Saddam e mais unido estiver o mundo, maior será a probabilidade disso ser resolvido pacificamente”, afirmou o porta-voz.

Hoje, o presidente George W. Bush se reunirá com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, como parte da ofensiva de Washington para conquistar o apoio internacional a uma possível ofensiva contra o Iraque.

Europa dividida

As declarações do porta-voz ocorrem enquanto a Europa se mostra cada vez mais dividida quanto o apoio à guerra. Nesta quinta-feira, dirigentes de oito países europeus, à exceção de França e Alemanha, assinaram uma carta comum que foi publicada na edição de quinta-feira do jornal londrino The Times, pedindo à Europa que apoie os Estados Unidos em seu esforço para desarmar o Iraque.

No texto, os líderes da Grã-Bretanha, Espanha, Itália, Portugal, Hungria, Dinamarca, Polônia e República Tcheca alertam que a credibilidade da ONU está em jogo nesta crise.

“Nossa força reside na unidade”, diz a carta, acrescentando que o informe dos inspetores de desarmamento da ONU, divulgado na segunda-feira, confirma o comportamento do presidente iraquiano, Saddam Hussein, conduta que na opinião do grupo é “mentirosa, de negação e de rejeição para se submeter às advertências”.

O texto está assinado pelos primeiros-ministros britânico, Tony Blair; espanhol, José María Aznar; português, José Manuel Barroso; húngaro, Peter Medgyessy; polonês, Leszek Miller; dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen e o presidente tcheco, Vaclav Havel.

A Comissão Européia, no entanto, considerou que a declaração publicada por oito chefes de Estado e de Governo europeus “não contradiz” a postura comum sobre o assunto anunciada na segunda-feira passada pelos 15 em Bruxelas.

Parlamento europeu rejeita guerra

Paralelamente, o Parlamento europeu considerou nesta quinta-feira que o comportamento do Iraque em relação aos inspetores de armas da ONU não justifica uma ação militar e fez um apelo para que os Estados Unidos evitem usar a força unilateralmente.

Em uma resolução, cujo cumprimento não é obrigatório, mas reflete o desconforto da Europa com a perspectiva de guerra, os parlamentares declararam:

“Violações da resolução 1441 do Conselho de Segurança da ONU identificadas pelos inspetores com relação a armas de destruição em massa não justificam uma ação militar”.

Os parlamentares aprovaram a resolução contrária à guerra por 287 votos a 209, com 26 abstenções, enquanto seus governos discutem até onde apoiar a linha-dura adotada pelo presidente americano, George W. Bush, contra o Iraque.

O Parlamento europeu disse que qualquer ataque antecipado dos EUA e de seus aliados violará leis internacionais e levará a um aprofundamento da crise na região.

Chefe de agência da ONU diz que Iraque não viola resolução

O diretor da agência de vigilância nuclear da ONU, Mohamed ElBaradei, disse na quinta-feira que, em sua opinião, o Iraque não violou a resolução da ONU sobre desarmamento, como dizem os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

ElBaradei, que dirige a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), afirmou à r