EUA desdenham oposição da França e Alemanha à guerra

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Publicado quinta-feira, 23 de janeiro de 2003 as 23:48, por: cdb

Altos funcionários americanos fizeram hoje declarações de desdém, e até ironia, em relação à oposição de vários membros do Conselho de Segurança da ONU a uma ação unilateral dos EUA contra o Iraque, especialmente França e Alemanha.

O presidente da França, Jacques Chirac, e o chancler alemão, Gerhard Schroeder defenderam na quarta-feira, em Paris, mais tempo para o trabalho dos inspetores e expressaram sua oposição a um ataque sem o aval do CS. O compromisso conjunto foi reiterado ontem pelos dois, em novo encontro Berlim.

Na mais polêmica das respostas dos EUA, na quarta-feira à noite, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, referiu-se à posição da França e Alemanha como visões da “velha Europa” e insinuou que o governo americano recorreria ao apoio dos novos membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Leste Europeu. Ele reagiu, assim à decisão da Otan – por pressão franco-germânica – de adiar a definição sobre suas ações de apoio a um possível ataque ao Iraquea. “Você está pensando que a Europa é só a Alemanha e a França?”, indagou a jornalistas. “Eu, não. Creio que essa é a Europa Velha”.

O comentário provocou reações iradas, como a do porta-voz do governo francês. “Quando alguém está em um velho continente, um continente com uma veha tradição histórica, cultural e econômica pode algumas vezes herdar certa sabedoria, e a sabedoria pode ser um bom conselheiro”, disse o porta-voz Jean-François Cope.

O ministro de Relações Exteriores alemão, Joschka Fischer, retrucou dizendo que Rumsfeld deveria “diminuir sua retórica”. “A única resposta é: ´Calma´, Nós somos bons amigos e aliados.”, disse Fischer a repórteres em Istambul, onde iniciou hoje um giro por países vizinhos do Iraque e Egito.

Tido como uma voz mais moderada no governo George W. Bush, Powell não ficou muito atrás de Rumsfeld. “Francamente, há certas nações no mundo que pefeririam simplesmente fugir do problema, fingindo que ele não existe”, afirmou, segundo The New York Times.

Frisando que a resistência do Iraque em desarmar-se é um desafio a ser enfrentado, Powell respondeu à França e Alemanha demonstrando otimismo em relação à formação de uma ampla coalizão, no caso de ser necessária uma guerra, e do apoio dos aliados. “Muitas nações lutarão ao lado dos EUA se o país tiver de ir à guerra contra o Iraque sem o endosso do CS, garantiu Powell, que hoje recebeu em Washington o chanceler britânico, Jack Straw – cujo país praticamente endossa a posição americana. “Estou certo de que será uma coalizão forte”,. “Acho que França e Alemanha compreendem que sobre o Iraque pesa a obrigação de desarmar-se. E, se há a menor confusão sobre o assunto, nós a esclareceremos em nossas conversações nos próximos dias. É apenas o começo do debate, não o fim, embora haja diferenças.”

Os EUA estão analisando vários caminhos para obter pelo menos uma aprovação indireta do Conselho de Segurança da ONU para uma ação militar contra o iraque, disseram diplomatas europeus na ONU. Uma das estratégias é pressionar os membros do CS a emitirem uma opinião sobre se o país cumpriu integralmente as determinações da Resolução 1.441, segundo o diário The New York Times. O objetivo é pôr os dois países no “ridúculo” e “confrontá-los com a realidade”.