EUA buscariam “solução final” para Al-Qaeda

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Publicado sexta-feira, 14 de dezembro de 2001 as 02:46, por: cdb

A eventual participação do Pentágono no bloqueio das negociações entre os chefes anti-Taleban e os membros da Al-Qaeda reabriu as suspeitas de que a eliminação dos principais líderes terroristas pode ser a “solução final” buscada por Washington. A destruição dessa organização é um dos objetivos da guerra contra o terrorismo proclamada pelo presidente dos EUA, mas se este objetivo previa a eliminação física de Osama bin Laden e de seus colaboradores é algo que as autoridades americanas nunca quiseram aprofundar.

A “luz verde” para a eliminação de Bin Laden já havia sido dada pelo ex-presidente Bill Clinton e foi agora confirmada por seu sucessor, George W. Bush. A probabilidade de que o chefe da Al-Qaeda possa ser capturado vivo parece remota para os americanos, pois tudo leva a pensar que o milionário saudita preferiria deixar-se matar antes de ser submetido a um humilhante processo.

Por sua vez, Bush sempre utilizou fórmulas que deixavam aberta a possibilidade de eliminação física do terrorista: “Queremos Osama bin Laden vivo ou morto””, ou “Será levado perante a Justiça ou a justiça irá até ele”. Mais ambígua é a posição americana no que diz respeito aos principais colaboradores do líder da Al-Qaeda.

Existe o temor de que os dirigentes da Al-Qaeda possam encontrar refúgio em outros países, fazendo ressurgir das cinzas do Afeganistão a rede terrorista responsável pelo massacre das Torres Gêmeas.

Especialistas americanos já advertiram que uma negativa das tropas de seu país em aceitar uma rendição incondicional dos integrantes da Al-Qaeda poderia expor os EUA à acusação de serem responsáveis por crimes de guerra. A decisão dos americanos de indicar a eliminação física dos dirigentes da Al-Qaeda já criou diferenças entre os aliados, e até os britânicos expressaram certa perplexidade a esse respeito.

A mensagem do papa João Paulo II, que exortava os EUA a exercerem seu direito de defender-se do terrorismo “respeitando os limites morais e legais” também encontrou eco entre os americanos. Alguns dos países aliados disseram que não entregariam os membros da Al-Qaeda aos EUA, sem receber antes garantias de que eles não seriam condenados à morte.

A resposta do ministro da Defesa, Donald Rumsfeld, foi inequívoca: “Atuaremos de maneira a não permitir que as tropas desses países estejam em condições de capturar Bin Laden”.