EUA ameaçam desistir de obter maioria na ONU para invadir Iraque

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Publicado quinta-feira, 13 de março de 2003 as 17:11, por: cdb

Os Estados Unidos ameaçaram nesta quinta-feira desistir de tentar obter maioria no Conselho de Segurança na ONU (Organização das Nações Unidas) para autorizar uma provável invasão no Iraque, no dia em que o país sofreu novos reveses em seus esforços diplomáticos.

“As opções permanecem, ir para votação e ver o que os membros dizem ou não ir a votação”, disse o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, a um comitê do Congresso dos EUA.

“Todas as opções que vocês podem imaginar se apresentam para nós e nós iremos examiná-las hoje (13), amanhã (14) e neste fim de semana”, afirmou.

Ainda sem apoio suficiente dos países que formam o Conselho de Segurança, a Casa Branca havia dito que os esforços diplomáticos poderiam se estender até a próxima semana.

França e Rússia, que detêm poder de veto no conselho, afirmaram que barrariam uma resolução prevendo o uso imediato da força.

Mas em um possível sinal de flexibilidade, o ministro das Relações Exteriores francês, Dominique de Villepin, disse que a França quer preservar a unidade do Conselho de Segurança e está aberta a todas as possibilidades.

Enfrentando uma profunda divisão no Conselho de Segurança, a administração Bush adiou algumas vezes a votação sobre o Iraque. Inicialmente, ela deveria ocorrer na terça-feira (11), depois no fim desta semana.

O adiamento da votação permite mais tempo para uma solução diplomática e exige quase que certamente uma prorrogação do prazo final de 17 de março ao Iraque, que seria incluído na resolução.

Hoje, o principal aliado do país, o Reino Unido, fez uma nova concessão em busca de conquistar o apoio do órgão. O governo britânico abriu mão da exigência de que o presidente iraquiano, Saddam Hussein, faça uma declaração em cadeia nacional de TV e prometa acabar com os programas de armas de destruição em massa.

Essa era uma das seis pré-condições impostas pelo Reino Unido para evitar a guerra.

Com mais de 250 mil soldados norte-americanos e britânicos prontos para invadir o Iraque, o presidente dos EUA, George W. Bush, declarou que poderia investir contra seu alvo sem a autorização da ONU.

Mas o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, mostra-se mais ansioso por obter uma autorização da ONU. Blair enfrenta a oposição de vários membros de seu partido, o Trabalhista, e da população do Reino Unido, contrários a uma guerra.

O ministro das Relações Exteriores do país, Jack Straw, disse que os britânicos poderiam abrir mão da exigência de que Saddam faça um pronunciamento na TV se isso contribuísse para a obtenção de uma maioria no Conselho de Segurança em favor do uso da força.

Relatórios

Em Bagdá, um diplomata disse que o Iraque enviará sexta-feira (14), para os inspetores de armas da ONU, um relatório sobre o destino de seus estoques de gás VX. Um outro relatório, sobre o antraz, estaria à disposição alguns dias depois.

Os EUA e o Reino Unido dizem que o Iraque não conseguiu esclarecer o destino de centenas de toneladas de agentes mortais que o país teria produzido durante os anos 1980. O Iraque afirma ter destruído seus estoques em 1992, depois da Guerra do Golfo (1991). O país, porém, não teria conseguido provar isso por meio de documentos ou testemunhos.

A promessa do Iraque de entregar os relatórios deve tornar ainda mais difícil a vida dos EUA, que tentam conseguir o apoio, para a resolução pró-guerra, de países-membros do Conselho de Segurança ainda indecisos.

Guiné e Chile

Em um outro revés para os EUA, a Guiné, um dos seis integrantes do Conselho de Segurança ainda indecisos, disse que pode se abster se a resolução chegar a ser votada. Na quarta-feira (12), autoridades norte-americanas haviam dito acreditar que os três países africanos do órgão (Angola e Camarões, além da Guiné) tendiam a apoiar a guerra.

O Chile, outro país que ainda não declarou seu voto, parecia não ter ficado convencido com os argumentos anglo-americanos.

Até agora, apenas os EUA, o Reino Unido