EUA acusam iraquianos de matar prisioneiros americanos

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Publicado quarta-feira, 26 de março de 2003 as 12:51, por: cdb

Alguns soldados americanos capturados no último domingo, depois de caírem em uma emboscada na cidade iraquiana de Nasiriya, foram aparentemente executados pelos iraquianos, provavelmente na frente de moradores da cidade, indicaram oficiais americanos.

Os oficiais alertaram que a informação foi baseada em uma fonte, aparentemente uma interceptação de comunicação, e que eles estão buscando evidências comprovadoras.

Ainda não está claro qual dos sete corpos foi executado, em vez de morto no combate, como os iraquianos afirmam. Cinco outros americanos foram capturados e, pelo menos, três continuam desaparecidos.

As acusações surgiram dias depois de uma fita de vídeo dos prisioneiros e soldados mortos ser exibida pela Al Jazeera, a rede de televisão árabe. Ela trazia imagens de pelo menos quatro corpos; alguns deles com feridas à bala na cabeça.

“Quando a verdadeira história vier à tona, as pessoas ficarão revoltadas”, disse um militar.

As acusações vieram no final de um dia no qual oficiais seniores do Pentágono e da Casa Branca acusaram os iraquianos de uma série de crimes de guerra, incluindo fingir a rendição para então atirar contra as forças americanas, além de usarem um hospital como área de preparação para ataques militares.

A Casa Branca também disse que as forças paramilitares do Iraque estão impedindo a entrada de assistência em Basra, no sul do país.

Nesta quarta-feira, no Pentágono, o secretário de Defesa Donald H. Rumsfeld e o presidente da Junta de Chefes de Estado, o general Richard B. Myers, defenderam seu plano de guerra contra as críticas de que as forças terrestres foram concentradas na linha de combate, deixando a retaguarda vulnerável a ataques de guerrilhas das forças paramilitares.

“É um bom plano, e é um plano que em quatro ou cinco dias posicionou as forças terrestres à uma curta distância de Bagdá”, disse Rumsfeld, depois de perguntas dos repórteres. “E as forças no país só aumentam”.

O general Myers considerou o plano de guerra “brilhante”, dizendo que todos os obstáculos decorreram das violações iraquianas à Convenção de Genebra. “É um plano que segue o programado”, afirmou. “É um plano apoiado por todos”.

Um oficial sênior do governo, que participou intensamente do planejamento da guerra, disse em uma entrevista que os soldados do presidente Saddam Hussein “lutam como terroristas”, e atribuiu a falta de uma boa recepção às tropas “a presença do terrorismo em algumas cidades, com esses paramilitares e organizações especiais impondo o mesmo terror brutal de anos”.

“Não encontramos grandes segmentos da população iraquiana ainda”, alertou o oficial. Ele disse ainda que Bush decidiu assumir que o governo iraquiano “ainda está funcionando”. Mas comparou os primeiros seis dias desta guerra com a invasão do Afeganistão, em 2001, dizendo que “a surpresa é a velocidade do nosso avanço”.

A despeito do otimismo no Pentágono e na Casa Branca, hoje foi o primeiro dia em que o governo se colocou na defensiva sobre sua estratégia.

A causa pareceu ser a combinação da inesperada resistência ao redor de Basra, o comboio perdido e a eficácia da Guarda Republica em derrubar os helicópteros Apaches com uma pequena chuva de tiros.

Bush tentou mostrar otimismo também, ao viajar ao Pentágono para uma coletiva, mas alertou: “Estamos combatendo um inimigo que não conhece as leis da guerra, que usa uniformes civis e está disposta a matar para continuar a reinar o medo de Saddam Hussein”.

Depois, seu porta-voz, Ari Fleischer, disse que o atraso da assistência no sul do Iraque foi culpa das autoridades do país. “Não esperávamos que os iraquianos cessariam a ajuda a seu próprio povo, colocando impedimentos à assistência humanitária”, afirmou.

A Casa Branca também usou a visita de Bush para pressionar o Congresso a aprovar um projeto de US$ 74,7 para o financiamento da guerra e a reconstrução do Iraque. O Escritório de Administração e Orçamento deixou claro q