ETA diz que está disposta a negociar a paz

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Publicado domingo, 16 de janeiro de 2005 as 10:58, por: cdb

O grupo terrorista ETA apóia, em um comunicado publicado neste domingo, uma proposta que o Batasuna (coalizão ilegal por ser seu braço político) apresentou em novembro e garante que está disposto a negociar a paz.

No comunicado, o grupo afirma que vê com bons olhos a idéia do Batasuna de buscar a paz em duas mesas de negociação simultâneas, uma entre os partidos bascos para discutir as questões políticas e outra entre o governo e a ETA para a desmilitarização do conflito.

A organização divulgou esse comunicado um dia depois de o presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, ter dito ao representante do Batasuna, Arnaldo Otegi, que para escutar essa proposta era necessário parar com os ataques.

Otegi apresentou na sexta-feira uma carta na qual o Batasuna exigia ao governo espanhol que negociasse com a ETA, organização que assassinou nas últimas três décadas mais de 850 pessoas na Espanha.

Nessa carta, o Batasuna afirma que pretende um acordo sobre as normas democráticas que possibilitem um novo cenário, onde todos os projetos políticos tenham espaço.

Em 14 de novembro, no estádio de Anoeta, em San Sebastián, o Batasuna apresentou um documento no qual dizia que a paz é a prioridade e que se compromete a negociar.

No comunicado divulgado pela ETA nas últimas horas, a organização diz que a proposta do Batasuna é a contribuição política mais sólida que se apresentou para superar as divergências entre o País Basco e o Estado desde iniciativas anteriores da esquerda independentista.

No comunicado, a ETA afirma que a superação do conflito virá das negociações e dos acordos, que devem garantir o respeito de todos os direitos básicos do País Basco.

Na quinta-feira passada, o presidente do governo espanhol disse em Madri ao presidente do governo regional basco, Juan José Ibarretxe, que rejeita o Plano Ibarretxe, que pretende para o País Basco um status de livre associação com a Espanha.

No dia seguinte, o presidente do governo e o líder da oposição, Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), concordaram em criar uma comissão para debater o modelo de Estado garantindo a unidade da Espanha.

No comunicado da ETA, o grupo assume a autoria de 23 atentados sem vítimas realizados entre setembro e dezembro de 2004 e nega seu envolvimento em falsos avisos de bomba no estádio Santiago Bernabéu e na sede central do PP, ambos em Madri.