Estudo revela que falar chinês exige mais do cérebro

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Publicado segunda-feira, 30 de junho de 2003 as 10:33, por: cdb

Falar chinês pode exigir maior atividade no cérebro do que falar inglês, de acordo com um novo estudo.

Pesquisadores britânicos descobriram que pessoas que falam mandarim usam os dois lados do cérebro para entender a língua. Aqueles que falam inglês utilizam apenas um lado do cérebro.

De acordo com os pesquisadores, os resultados do estudo podem ajudar a entender como o cérebro processa as línguas.

Mapeamento

Os resultados podem auxiliar os cientistas a desenvolver melhores formas de ajudar as pessoas a reaprender línguas depois de um derrame ou acidente vascular cerebral.

A doutora Sophie Scott e seus colegas do Wellcome Trust fizeram o mapeamento do cérebro de um grupo de pessoas que falam mandarim e inglês.

Os cientistas descobriram que o lóbulo esquerdo, localizado na têmpora esquerda, fica ativo quando as pessoas que falam inglês ouvem a língua.

Pesquisadores acreditam que essa área do cérebro liga os sons da fala para formar palavras. Eles esperavam encontrar resultados semelhantes nas pessoas que falam mandarim. No entanto, constataram que os lóbulos esquerdo e direito ficam ativos quando elas ouvem este idioma.

Difícil

– Pessoas que falam diferentes línguas usam seus cérebros para decodificar a fala de formas diferentes. Isso derrubou algumas teorias de muitos anos – disse a doutora Scott.

Ao contrário do inglês, os que falam mandarim usam a entonação para identificar significados totalmente diferentes de determinadas palavras.

Por exemplo, a palavra “ma” pode significar mãe, megera, cavalo ou cânhamo, dependendo da maneira como é dita.

Os pesquisadores acreditam que essa necessidade de interpretar a entonação é o que faz com que as pessoas que falam mandarim necessitem dos dois lados do cérebro.

Criança

O lóbulo temporal direito é normalmente associado com a capacidade de processar música ou tons musicais.

– Acreditamos que as pessoas que falam mandarim interpretam entonação e melodia no lóbulo temporal direito para dar o significado correto das palavras faladas – disse Scott.

– Parece que a estrutura da língua que se aprende quando criança afeta a maneira pela qual a estrutura do cérebro se desenvolve para decodificar a fala. Pessoas que têm o inglês como língua nativa, por exemplo, têm enorme dificuldade em aprender mandarim – acrescentou.

Aprendizado

A doutora Scott disse que a descoberta pode ajudar os cientistas a entender como o cérebro aprende línguas.

Segundo a pesquisadora, isso também pode levar a novos remédios para ajudar as pessoas que perderam a capacidade de falar.

– Há evidências de outros estudos de que certos medicamentos afetam o aprendizado em regiões do cérebro que apóiam a escuta e a fala. Isso é algo que se pode melhorar – disse ela.

Entendimento

O médico William Marslen-Wilson, da Unidade MRC de Ciências de Cognição e do Cérebro da Universidade de Cambridge, elogiou o estudo.

“É uma descoberta interessante”, disse ele.

– A pesquisa de línguas que são muito diferentes uma da outra nos ajuda a entender como o cérebro processa a linguagem. Isso pode nos ajudar a entender a reabilitação da linguagem. Esse campo está realmente se abrindo, mas ainda é cedo – disse o doutor Marslen-Wilson.

A descoberta será incluída na exibição de ciência da Royal Society, em Londres, de 1º a 3 de julho.