Estudo da Fipe prevê 135 mil moradores na Linha Verde

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Publicado sexta-feira, 2 de março de 2012 as 08:56, por: cdb

A Prefeitura de Curitiba e a equipe técnica da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) apresentaram na noite desta quinta-feira (1º) os estudos de impactos ambientais e sociais na área de abrangência da Operação Urbana Consorciada Linha Verde. O encontro reuniu 400 pessoas, entre moradores, comerciantes, estudantes, presidentes de associações e interessados na transformação da antiga BR 116 em um novo eixo de desenvolvimento e de transporte da capital paranaense.

Os trabalhos no salão de eventos do Jockey Club, no Tarumã, foram abertos pela secretária do Meio Ambiente, Marilza de Oliveira Dias. “A audiência atende aos ritos legais do licenciamento ambiental”, disse. A Fipe, responsável pelos estudos, é uma instituição ligada à Universidade de São Paulo (USP).

A secretaria de Urbanismo, Suely Hass, apresentou o projeto da operação com a emissão de títulos na Bolsa de Valores lastreados no potencial construtivo de uma área de 20.820.506 metros quadrados que abrange 22 bairros de Norte a Sul de Curitiba.

A Operação Urbana está prevista no Estatuto das Cidades e também no Plano Diretor de Curitiba. Trata-se de uma parceria entre o setor privado, a sociedade civil e o poder público, amparada por lei aprovada na Câmara de Vereadores. Compareceram à audiência os vereadores Jair Cézar, Julieta Reis, Professora Josete e Serginho do Posto.

Áreas – Os estudos de impactos foram feitos pela Fipe, que analisou aspectos ambientais como fauna, flora, clima, qualidade do ar, entre outros. Questões sociais e econômicas também foram estudadas. O estudo identificou 15 áreas de habitações irregulares na área de abrangência. O projeto contempla área para habitações de interesse social para relocações dessas famílias.

Outro levantamento mostrou que existem muitos terrenos vagos na abrangência do projeto. Na parte norte, por exemplo, eles representam 27% do total de lotes. O baixo adensamento também foi comprovado. A Fipe fez uma projeção da evolução de ocupação na área, hoje com 82 mil pessoas. Com o projeto da Operação Urbana, em 2040, cerca de 135 mil pessoas estarão ocupando a região. Sem o projeto, seriam 85 mil pessoas.

“É uma maneira de estimular o adensamento sem comprometer a infraestrutura urbana. Na verdade, é a maneira correta de se adensar, com planejamento e estratégia”, disse Maura Castro, consultora da Fipe.

A elaboração dos estudos contou com a participação de uma equipe multidisciplinar composta por biólogos, geólogos, arquitetos e engenheiros, que recomendaram a emissão da licença ambiental. “Os pontos positivos são mais relevantes que os negativos, e esses por sua vez têm condições de serem controlados ou mesmo zerados”, adiantou Maura Castro.

Depois da apresentação dos estudos, o presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba, Cléver Almeida, e as secretárias municipais junto com técnicos da Prefeitura, responderam aos questionamentos do público.

O presidente da Associação de Moradores do Jardim Social, Jorge Milkado Júnior, elogiou a audiência. “É um exercício de democracia, uma porta aberta para nos manifestarmos”, comentou. Uma das preocupações levantadas por Milkado são binários passando por dentro do bairro. “Queremos o desenvolvimento da cidade sem prejuízos aos moradores que estão dentro de um bairro essencialmente residencial”.

A analista de marketing Daniela Gumiero, moradora do Tarumã, pediu para que no decorrer das obras a Prefeitura dê informações pontuais. “Senti que faltou isso nessas obras que estão acontecendo das trincheiras da Agamenon Magalhães e Roberto Cichon, perto da minha casa. Sei que isso será uma coisa muito boa pra cidade, acho que é preciso acontecer, mas os cidadãos devem ser bem informados do que acontecerá com sua rotina durante as obras”, avaliou Daniela.

Transformação – O novo eixo de desenvolvimento ao longo da Linha Verde beneficia uma área de quase 21 milhões de metros quadrados de área. A área contará com edifícios comerciais e residenciais, praças, trincheiras que fazem a transposição de 10 pistas para automóveis e o corredor exclusivo do Ligeirão.

Os recursos ficarão em conta específica do Banco do Brasil e a aplicação deles será fiscalizada pela Caixa Econômica Federal e a emissão dos títulos autorizada, monitorada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Todo dinheiro o deverá obrigatoriamente ser investido na área delimitada pela lei, sem que o recurso passe pelo caixa do município.

Projetos – Técnicos do Ippuc estão desenvolvendo os projetos de intervenção pública como as trincheiras verdes, a criação de áreas de lazer e convivência, a reurbanização de vias transversais existentes, implantação de novas vias e trechos de ciclovia, pavimentação, drenagem, sinalização viária, iluminação pública, paisagismo, arborização e construção de calçadas.

A primeira etapa dos estudos está avaliando a localização das novas transposições. As nove novas trincheiras verdes ficarão perto dos terminais de transporte e dos pólos comerciai, garantindo mobilidade segura, maior fluidez do tráfego e rapidez da Rede Integrada de Transporte, sem a necessidade da implantação de semáforos. Os polos serão circundados por atividades mistas desde residências, comércios e serviços ao longo da Linha Verde.

Cada trincheira verde terá aproximadamente 250 metros de comprimento, e não serão apenas ligações para veículos. Trata-se de um conceito inédito que agrega também passagens segregadas para pedestres e ciclistas, além de pólos ambientais com equipamentos de lazer e convivência, no modelo parecido com o Jardim Ambiental, no Alto da XV. “É um espaço que não será perdido, mas valorizado para uso das pessoas”, afirma o presidente do Ippuc, Cléver de Almeida.

As travessias verdes se somarão as atuais transposições da Linha Verde, e serão construídas na CIC/Sul, entre o terminal do Pinheirinho e a estação São
Pedro; entre as estações São Pedro e Xaxim, entre as estações Xaxim e a Santa Bernadete e entre as estações Santa Bernadete e Fanny.

Ao norte, as novas travessias estarão entre a estação Jardim Botânico e a futura estação Tarumã, entre a futura estação Vila Olímpica e a Fagundes Varela, na futura estação Solar e na rótula do Atuba.

Bairros envolvidos: 22
População aproximada: 82.000 hab. (Censo 2010)
Quantidade de lotes: 16.886
Área do perímetro: 20.820.506 m²
Área de lotes: 17.479.160 m²
Setores: 3 ( Norte, Central, Sul)