Estudantes de Medicina denunciam aumento das mensalidades

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Publicado segunda-feira, 26 de novembro de 2012 as 18:54, por: cdb

De acordo com alunos, reajuste é decorrente da venda da Unicid ao Grupo Cruzeiro do Sul Educacional; mensalidades passarão para R$ 5.613,50 

26/11/2012


Michelle Amaral

da Redação

 
Estudantes do curso de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) iniciaram, na última sexta-feira (23), uma paralisação contra o aumento das mensalidades. De acordo com informações do site da universidade, em 2013 o curso passará a custar mensalmente R$ 5.613,50. Atualmente, o valor é de aproximadamente R$ 4.830. 

Segundo um dos estudantes de medicina, que prefere não ser identificado por receio de represálias por parte da instituição, o aumento das mensalidades é resultado da venda da Unicid para o Grupo Cruzeiro do Sul Educacional. “Quando falaram que iam comprar a universidade, disseram que existiria a possibilidade de a mensalidade congelar ou abaixar. Entretanto, desde que o Grupo Cruzeiro do Sul entrou, fala-se em um aumento de 18%”, relata o estudante.

A compra da Unicid foi efetivada no primeiro semestre deste ano e custou ao grupo educacional, que compreende a Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), R$ 180 milhões. O negócio só foi possível graças à entrada de um novo sócio no grupo: o fundo inglês Actis comprou 37% da universidade.

Na sexta-feira os alunos de medicina realizaram uma mobilização na porta da reitoria da universidade. Somente após a manifestação, eles foram recebidos pelo reitor Rubens Lopes da Cruz, que lhes informou que o valor da mensalidade anunciado no site da instituição estava errado. De acordo com a assessoria de imprensa da universidade, “o reajuste para o curso de Medicina da Unicid em 2013 será de 9%”, passando para aproximadamente R$ 5.200, valor considerado, ainda assim, “abusivo” pelos estudantes. 

O estudante que conversou com o Brasil de Fato relatou que na reunião foi solicitado ao reitor um documento financeiro que justificasse o aumento da mensalidade, além do congelamento dos valores atuais até que fosse provada a necessidade do reajuste. No entanto, o reitor não se comprometeu com os estudantes sobre estas reivindicações, assim como não quis atestar por escrito o erro no site da instituição quanto às mensalidades para o próximo ano, que permanece divulgando o valor de R$ 5.613,50. “Em meio a tantas mentiras e meias verdades, não sabemos em quem acreditar”, protesta o estudante.

Os alunos também chegaram a receber a informação de que o novo valor das mensalidades seria apenas para os calouros. “Todavia, fui ao Centro de Atendimento ao Aluno e minha mensalidade de aluno que esta indo para o 4º ano foi calculada como R$ 5.600”, descreve o estudante.

 

Mudanças

Segundo o estudante de medicina, as mudanças na universidade por conta da venda ao Grupo Cruzeiro do Sul não se restringem ao aumento das mensalidades. As empresas de faxina e segurança foram substituídas por outras com um número menor de funcionários. Além disso, os funcionários da instituição falam em corte de gastos. “Nossa biblioteca tem salas de estudo em grupo com lousas. Ao utilizar estas salas, sempre foram fornecidos caneta e apagador que, segundo a funcionária, não poderão mais serem fornecidos para cortar gastos”, conta o estudante.

Além disso, o estudante diz que o sistema de visualização das notas e avaliação do curso será desativado, porque custa R$ 13 mil reais por mês à instituição, conforme informou um professor. Há também a previsão de demissão dos professores mais antigos por terem salários mais altos. “Portanto, entendemos que a Unicsul é um grupo capitalista sem qualquer comprometimento com a educação, que visa o lucro pelo aumento da mensalidade e o corte de gastos”, afirma.

 

Organização

Segundo o estudante, esta é a primeira vez que uma paralisação de alunos é realizada na Unicid. “Em outros momentos que a união estudantil era necessária nunca conseguimos tal organização”, conta. Um dos motivos é o apoio que eles têm recebido da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem) e de outras faculdades de medicina.

No entanto, desde o começo da paralisação, o estudante afirma que a Unicid tem tentando intimidar os alunos com ameaças, além de destruir todos os cartazes da mobilização que são produzidos por eles. “Já recebi milhares de ameaças da universidade, como perder determinados benefícios. Os professores, sob ordem da instituição, estão nos punindo pedagogicamente, dando faltas suficientes para reprovar e nota 0 nas atividades, mas o movimento continua”, relata.

A instituição, por sua vez, diz estar se reunindo com representantes dos alunos desde a sexta-feira para “dirimir dúvidas e levantar as melhorias nas áreas acadêmica e de infraestrutura que podem ser feitas para contribuir com a manutenção da excelência do curso”.

De acordo com a organização do movimento, 520 dos 630 estudantes de medicina estão mobilizados. Uma petição pública contra o reajuste e pelo congelamento das mensalidades também foi lançada (http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoListaSignatarios.aspx?page&sr=28…). Além do curso de medicina, os alunos de direito, engenharia ambiental e arquitetura e urbanismo também participam da mobilização, mas não há uma estimativa quanto ao número de adesões ao movimento grevista.