Estilistas novos levam boas vibrações ao penúltimo dia da SPFW

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 24 de janeiro de 2005 as 23:42, por: cdb

Foram três estréias só nesta segunda-feira na São Paulo Fashion Week, penúltimo dia da semana de moda paulista. Samuel Cirnansck foi um dos destaques, surpreendendo com releituras de vestidos dos anos 1950, com muitos volumes, rendas e pedrarias.

Cirnansck, estilista revelação do Amni Hot Spot, apostou nas rendas, que apareceram discretas no começo, misturadas com crepe georgette e musselina, e foram descendo do pescoço para as saias.

No final, os corpetes eram só de renda, com pontos luminosos de fios dourados e miçangas, feitos com a técnica do moulage — quando o estilista monta a roupa direto no corpo da modelo.

O estilista também levou à passarela looks lilás de neoprene, com camadas e camadas de tule por baixo das saias. O jeans foi usado para vestidos no mesmo estilo. As pedrarias vieram bordadas na parte de trás de vestidos, decorando as costas nuas das modelos.

Fabia Bercsek resolveu invocar antigos ensinamentos dos xamãs em seu desfile de estréia na semana de moda paulista. O toque étnico-indígena ficou por conta de calças de couro, jaquetas e camisetas com franjas, além de enormes brincos e pingentes em forma de pena.

A estilista, que foi assistente de Alexandre Herchcovitch, utilizou-se da sobreposição de camisetas, camisas e malhas para passar uma sensação de conforto ao pé da fogueira. Também combinou tecidos, como veludo, algodão e organza, para transformar a mulher de vida mais rústica na exigente cidadã globalizada de nossos dias.

Também de olho no encontro com a natureza, Lourdinha Noyama, outra estreante, estampou em vestidos paisagens dos pintores holandeses Franz Post (1612-1680) e naturezas-mortas de Albert Eckhout (1610-1666).

Baseada nas criações do Brasil colonial, Noyama trouxe vestidos de tapeçaria pesados, com saias cheias de volumes, intercalados com peças mais leves, feitas de seda pura ou organza.

Alexandre Herchcovitch foi parar num ringue de boxe nos anos 1940 para fazer sua coleção masculina. O estilista procurou a marca Everlast, a primeira especializada nesse esporte, para produzir o trabalho.

O brilho dos tecidos migrou dos roupões para sobretudos, blazers e calças largonas em matelassê. Malhas e moletons com estampas que remetiam ao universo das lutas eram acompanhadas por peças de alfaiataria que o estilista prepara com maestria, mas com uma modelagem diferente, com cara esportiva.

Caio Gobbi, primeiro a abrir o dia, trouxe uma sexualidade disfarçada em pele de cordeiro, com pernas de fora e pink para todos os lados. O estilista misturou elementos, como o jeanswear, sua marca registrada, a peças de alfaiataria, sua nova aposta.

– Estamos abrindo mais o leque de opções, oferecendo coisas mais finas – disse à Reuters, no backstage. Entre os destaques dessa fase mais “sofisticada”, camisetas e jaquetas ganharam apliques de paetês, e bolsas vieram com bordados de lantejoulas.

Fechando o dia, a Vide Bula trouxe uma coleção com ar de brechó em que se misturavam todas as tendências do próximo inverno, como o marrom no lugar do preto, o xadrez, o cor-de-rosa envelhecido e suas nuances e as saias rodadas em várias camadas acima do joelho.

Ao som do rock dos Mutantes, em um cenário de conto de fadas, as modelos desfilaram vestidos soltos de chiffon ou veludo molhado, com babados, fitas, rendinhas e outros detalhes românticos. Nos pés, sandálias plataforma estampadas com meias.

Já os rapazes ganharam jaquetas bordadas, camisetas com estampas de cogumelos, corujas, lagartos e outros elementos desse jardim de conto de fadas, calças oversized com paletó de lã, e camisas e camisetas com patches.

Na terça-feira, último dia da SPFW, desfilam Sommer, Renato Loureiro, Mareu Nitschke, André Lima, Cavalera e a estreante Gisele Nasser.