Estados parte e associados ao Mercosul repudiam destituição de Lugo e suspendem Paraguai do bloco

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Publicado segunda-feira, 25 de junho de 2012 as 14:37, por: cdb

Após a destituição relâmpago de Fernando Lugo de seu cargo presidencial – na última sexta-feira (22) – os estados parte e associados ao Mercado Comum do Sul (Mercosul), contrários à ruptura da ordem democrática no Paraguai, decidiram se manifestar, por meio de declaração, rechaçando a situação e anunciado medidas restritivas ao país. Neste momento, o Paraguai já está suspenso do bloco.

Argentina, Brasil, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru também suspenderam a participação do país na XLIII Reunião do Conselho do Mercosul e da Cúpula de Presidentes do bloco, assim como dos encontros preparatórios, que acontecerão nesta semana na cidade de Mendoza, na Argentina. Outras medidas serão tomadas durante a reunião dos presidentes, na sexta-feira.

Apesar das manifestações nacionais e internacionais contrárias ao que foi chamado de golpe de Estado, o atual presidente,Federico Franco, já está exercendo suas funções. Nesta segunda-feira, o mandatário empossou novo gabinete ministerial. Alguns ministros do governo Fernando Lugo foram mantidos, entre eles Francisco Rivas, ministro da Indústria e Comércio e Enzo Cardozo, da Agricultura e Pecuária.

María Lorena Segovia está à frente do Ministério de Justiça e Trabalho; Antonio Arbo é secretário da Saúde; Horacio Galeano Perrone é o novo ministro da Educação; María Liz García é ministra de Defesa e Enrique Salyn Buzarquis, ministro de Obras Públicas.

Mesmo com o país se encaminhando para a normalidade política e aceitação da destituição relâmpago de seu presidente eleito, Fernando Lugo assegurou hoje durante reunião que não reconhece Federico Franco como presidente e que está disposto a montar um “gabinete paralelo” no país para voltar ao poder.

Ao que parece, Lugo mudou definitivamente de opinião. Após sua rápida deposição, sem oportunidades de defesa, o presidente anunciou que, apesar do modo como as coisas aconteceram, ele respeitava a democracia. Agora, Lugo assegura que houve uma quebra institucional no processo democrático, que não reconhece Franco como presidente e nem aceita seu impeachment.

Fernando Lugo se reuniu nas primeiras horas desta manhã com seus principais colaboradores, na sede do Partido País Solidário, com a intenção de analisar e criar estratégias para tentar voltar ao poder. Estiveram com eles seus ex-ministros Carlos Filizzola, Esperanza Martínez, Dionisio Borda, Jorge Lara Castro, Miguel Lovera, seu assessor jurídico Emilio Camacho, entre outros apoiadores.

Um dos planos do ex-presidente paraguaio é apelar à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) para mostrar a ilegalidade do julgamento político que o retirou do poder em menos de 24 horas, na última sexta-feira. De acordo com Lugo, ele foi vítima de um “golpe de estado parlamentar” e por isso o governo de Franco não pode ser considerado legal. Fernando Lugo também pretende participar, como representante do Paraguai, da Cúpula do Mercosul, e de uma reunião com os líderes deste bloco junto aos representantes da União das Nações Sul-americanas (Unasul).

Entenda o caso

Na última quinta-feira (21), o então presidente paraguaio Fernando Lugo foi a público para dizer que estava enfrentando um “golpe de Estado expresso” em seu país e que ele havia sido o alvo de um julgamento político injusto. Nem bem o dia seguinte amanheceu e a denúncia se confirmou.

Algumas das justificativas para sua destituição seriam as mortes de 17 pessoas, entre indígenas e policiais na fazenda de Curuguaty durante confronto armado com a polícia no dia 15, um ato político de seus aliados esquerdistas em instalação militar em 2009, a insegurança no Paraguai e o apoio à aprovação do Protocolo de Ushuaia, que reafirma o compromisso democrático entre os membros do Mercosul.

Foi dado a Lugo menos de 24 horas para se defender das denúncias, tempo que obviamente não foi suficiente. Com a votação no Senado e o resultado de 39 votos a quatro, o desfecho foi a destituição do presidente.

Com informações de agências.