Especialistas em Aids entram na luta contra a Sars

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Publicado sexta-feira, 9 de maio de 2003 as 19:42, por: cdb

O médico David Ho, pioneiro nos tratamentos contra a Aids, agora está empenhado em combater a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês).

Ele se juntou a um grupo de laboratórios governamentais e a dezenas de empresas privadas na corrida para desenvolver remédios ou vacinas contra a doença, que já matou mais de 500 pessoas e infectou 7.000 em todo o mundo.

Enquanto os pesquisadores levaram anos para descobrir o vírus HIV, que provoca a Aids, o coronavírus, da Sars, foi identificado e teve seu genoma seqüenciado e publicado em menos de um mês.

Ho, que ajudou a inventar parte do “coquetel” contra o HIV, diz que seu laboratório está trabalhando em um remédio ou uma vacina contra a Sars. “Eu não diria que mudamos de marcha, mas assumimos uma carga extra”, disse Ho, que dirige as pesquisas sobre Aids na Universidade Rockefeller, em Nova York.

Ho e outros especialistas acham que será mais fácil descobrir uma vacina contra o coronavírus do que contra o HIV.

– Coronavírus que afetam animais podem ser neutralizados com anticorpos muito mais facilmente que o HIV. Isso imediatamente sugere que uma vacina será mais fácil. Há muito otimismo aqui, mas pode se tornar verdade – disse Ho.

Há quem esteja tentando uma vacina “morta,” ou seja, que use vírus já neutralizados, que estimulem o organismo a reconhecer e combater o vírus “vivo”. Esse é o princípio, por exemplo, da vacina contra a poliomielite. No caso da Sars, uma equipe liderada por Brian Murphy nos Estados Unidos deve testar a vacina “morta” em animais dentro de um ano.

Mas há o risco de que isso não funcione, ou que o vírus neutralizado se recombine com outros e volte a ser maligno. Por isso outra equipe a serviço do governo norte-americano, liderada por Gaby Nabel, está trabalhando em uma vacina que emprega pequenos pedaços do vírus, os mais importantes, que ficariam “registrados” no sistema imunológico dos pacientes.

Outro grupo, este ligado ao Exército, no Estado de Maryland, está examinando milhares de possíveis medicamentos. Até agora nenhum deles funcionou, embora um tipo de inibidor de protease e íons de cálcio tenham se mostrado eficazes em impedir a replicação dos vírus.

O médico Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, diz que antiviral rimantidine está funcionando no combate ao coronavírus, mas só em concentrações perigosamente altas. Com o Inteferon Beta aconteceu o mesmo. “Parece que nada que testamos funciona,” disse.

Empresas como a Merck e a francesa Aventis também trabalham em conjunto com o governo norte-americano. Até agora, a o FDA (órgão dos EUA que regula os medicamentos) identificou 16 compostos que interferem na replicação viral, produzidos por dez empresas diferentes.

Outro laboratório, o Medarex, da Califórnia, está trabalhando em um anticorpo monoclonal – uma proteína do sistema imunológico dos humanos transformada em laboratório para combater especificamente a Sars.