Espanhola detida em Lima por engano já está livre

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Publicado quarta-feira, 14 de abril de 2004 as 01:55, por: cdb

O Poder Judicial do Peru ordenou na última terça-feira a libertação da jornalista espanhola Isabel Gómez Benito, detida por engano desde quatro de abril em Lima, informou o Instituto Nacional Penitenciário.

A jornalista, que chegou à capital do Peru para o feriado da Semana Santa a fim de visitar Cuzco e percorrer o caminho inca que leva ao sítio arqueológico de Machu Picchu, foi detida depois de ser confundida pela justiça peruana com uma narcotraficante de cocaína.

Gómez Benito, que tem o mesmo nome e sobrenome da acusada, passou as primeiras 48 horas de sua detenção sem comer nem beber na cadeia de mulheres de Lima. A mulher escreverá um livro sobre sua experiência carcerária.

A espanhola estudou na Universidade Complutense de Madri, dirige o departamento de Comunicações na Universidade Autônoma de Bucaramanga, na Colômbia, e é co-diretora de um periódico chamado ‘Quinze’.

Isabel Gómez disse ontem que na Cadeia de Mulheres de Lima ‘é protagonista e testemunha de várias injustiças’ como, por exemplo, ‘a prisão de uma menina de 17 anos com seu bebê de 15 dias’.

Gómez Benito comparou sua experiência no país andino com a do protagonista do filme ‘O expresso da meia-noite’ (1978), do diretor Alan Parker, centrada na tragédia de um jovem americano preso na Turquia por narcotráfico.

A jornalista também afirmou que ‘a Defensoria do Povo se comportou de maneira excepcional’ e que no contexto, tem sorte por ser jornalista e estrangeira, já que sua detenção por engano causou confusão no país andino.

– Apesar de ser um absurdo o que acontece comigo, o fato concreto é que estou presa no Peru por tráfico de drogas – resumiu.

A Defensoria do Povo do Peru disse que defendeu a jornalista diante de Hugo Sivina, o presidente do Poder Judicial peruano, alegando ‘o absurdo da detenção de Isabel Gómez’ e pediu rapidez em sua libertação.

– Explicamos (a Sivina) que este erro gigantesco desprestigia a justiça peruana dentro e fora do país – indicou a Defensoria.