Espanha procura cúmplices dos terroristas de Madrid

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Publicado segunda-feira, 5 de abril de 2004 as 09:04, por: cdb

Com quase todos os supostos responsáveis pelas explosões em trens de Madri capturados ou mortos, investigadores estão procurando agora alguns cúmplices e um possível mentor ou financiador fora da Espanha com ligações com a Al Qaeda.

Investigadores também estudam uma carta supostamente enviada pela rede de Osama bin Laden para um jornal da Espanha e na qual há ameaças de mais explosões, a não ser que o país retire suas tropas do Iraque e do Afeganistão.

O rastro dos ataques de 11 de março contra trens levou a uma operação no fim de semana em apartamento onde o suposto líder da célula e três ou quatro homens-bomba explodiram-se para não se render. A explosão matou também um agente especial da polícia e feriu outros 15.

“A investigação está centralizada em duas ou três pessoas que podem ter escapado (antes da explosão suicida) …e, é claro, nas conexões internacionais ou nas conexões com grupos terroristas que possam existir”, disse o ministro do Interior, Angel Acebes.

Autoridades não têm certeza se os suspeitos foragidos continuam armados, mas disseram que o grupo no apartamento estava preparado para atacar de novo.Além da explosão suicida, pelo menos outras duas bombas estavam guardadas em sacolas esportivas.

O corpo de um homem recuperado em uma piscina perto do apartamento tinha um cinto-bomba do tipo usado por homens-bomba palestinos. “Poderia ter acontecido uma série de atentados na Semana Santa, provavelmente começando neste fim de semana”, disse na segunda-feira uma fonte próxima da investigação. Os ataques a trens de Madri mataram 191 pessoas e feriram 1.900. 

Enquanto a polícia cercava o apartamento, o jornal ABC disse ter recebido um fax escrito à mão em árabe supostamente da Al Qaeda, ameaçando realizar novos ataques. Investigadores levaram em consideração a carta, que assume a responsabilidade pelos ataques de 11 de março e por uma bomba plantada em uma linha de trem na sexta-feira.

 A carta disse que uma trégua anterior com a Espanha terminou ao meio-dia deste domingo.
A carta acusou a Espanha de “injustiças e agressão contra os muçulmanos” e citou o plano espanhol de “mandar mais tropas ao Afeganistão”.

O premiê eleito José Luis Rodríguez Zapatero prometeu cumprir a promessa de campanha de retirar as tropas do Iraque, a não ser que a Organização das Nações Unidas (ONU) assuma o controle do país em 30 de junho.

Mas os socialistas disseram que cogitam enviar mais tropas ao Afeganistão, além dos 125 soldados que já estão no país.