Espancamento, tiroteio e morte em Paris

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Publicado segunda-feira, 7 de novembro de 2005 as 11:11, por: cdb

Grupos de jovens, a maioria filho de imigrantes da África ou do Oriente Médio, voltaram às ruas de Paris pela 11ª noite consecutiva desde que dois adolescentes morreram eletrocutados quando fugiam da polícia, em Clichy-sous-Bois, bairro da periferia da capital francesa. As manifestações alastram-se pela França e, somente na madrugada desta segunda-feira. Um homem morreu e cerca de 14 policiais foram atingidos por disparos de armas de fogo. Um dos feridos está internado em estado grave. Nas ruas dos subúrbios parisienses, mais de 1,4 mil carros foram queimados. Apesar de o presidente Jacques Chirac ter prometido controlar a situação, o quadro tem se agravado dia após dia.

Jean-Jacques Le Chenadec morreu na manhã desta segunda feira, após ser espancado por manifestantes durante os tumultos nos subúrbios de Paris, e se tornou na primeira vítima da violência que começou no dia 27 de outubro. Funcionários de um hospital e um porta-voz do Ministério do Interior confirmaram a sua morte, mas não deram outros detalhes. Segundo o jornal Le Parisien, Chenadec tinha 60 anos e que foi atacado por um jovem em frente a sua casa, em Stains.

Reagindo às insinuações do governo de que militantes islâmicos poderiam estar insuflando à violência, uma das maiores entidades muçulmanas da França emitiu uma “fatwa” (decreto religioso) condenando a violência. No incidente mais sério da segunda-feira, jovens de um conjunto habitacional de Grigny, ao sul de Paris, fizeram uma emboscada com pedras, coquetéis molotov e armas de fogo contra os policiais. Nesse incidente, dez agentes ficaram feridos, dois deles em estado grave, com ferimentos no pescoço e nas pernas.

Segundo Bernard Franio, chefe da polícia na região de Essone, cerca de 200 jovens participaram do ataque:

– Esta é uma violência real e séria. Não é como nas noites anteriores. Estou muito preocupado, porque isso está crescendo.

Um policial no local segurava um cartucho de munição, supostamente usado pelos manifestantes, para que as câmeras vissem. Na noite de quarta-feira, os manifestantes já haviam disparado contra policiais e bombeiros, mas sem deixar feridos. O sindicato policial CFTC pediu na segunda-feira ao governo que imponha um toque de recolher nas áreas atingidas pelos distúrbios e que convoque o Exército para controlar os jovens, muitos dos quais são franceses de ascendência árabe ou africana, que se consideram vítimas do racismo.

– Nada parece conseguir conter a guerra civil que se alastra um pouco mais a cada dia para todo o país. Os fatos que estamos vivendo agora não têm precedentes desde o final da Segunda Guerra Mundial – disse um porta-voz do sindicato.

O ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, visitou policiais feridos no hospital. Ele foi muito criticado por sua postura linha-dura contra os manifestantes, mas aparentemente tem apoio de Chirac, que exige a restauração imediata da ordem.

Na TV

O primeiro-ministro Dominique de Villepin deve fazer um pronunciamento pela TV na noite deste domingo, às 17h, hora de Brasília, para explicar seus planos contra a crise.

– Não podemos aceitar que haja áreas de acesso proibido – disse Villepin após uma reunião especial do Conselho de Segurança Nacional, sob o comando de Chirac, na noite de domingo.

Ele prometeu que a segurança será reforçada onde for necessário e disse que 2.300 oficiais já foram convocados para conter os distúrbios, que começam a preocupar os vizinhos da França. O chefe nacional de polícia, Michel Gaudin, disse que 1.408 veículos foram queimados e 395 pessoas foram detidas. As cidades de Marselha, Saint-Etienne, Toulouse, Metz e Lille foram as mais afetadas, segundo ele.

Jovens queimaram um ônibus em Saint-Etienne, na região central do país, ferindo o motorista e um passageiro. Em Estrasburgo, no leste, coquetéis molotov foram lançados contra uma escola primária. Em Toulouse, no sudoeste, um carro em chamas fo