Escolha do vice de Alckmin deixa o PFL em frangalhos

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Publicado segunda-feira, 24 de abril de 2006 as 13:24, por: cdb

O nome do candidato à vice-presidente na chapa do tucano Geraldo Alckmin vem causando estragos nas hostes do PFL. O presidente do partido, senador Jorge Bornhausen, e um dos principais expoentes da legenda, Antonio Carlos Magalhães (BA), têm disputado palmo a palmo a hegemonia do partido e o direito de indicar o companheiro do ex-governador paulista na disputa à Presidência da República.

 

Enquanto Bornhausen apóia o senador José Jorge (PFL-PE), ACM joga suas fichas no nome do senador José Agripino Maia (PFL-RN), que reúne também a preferência do próprio Alckmin. Os políticos favoráveis a José Jorge dizem a boca pequena, que a escolha de Maia significaria fortalecer a idéia de que ACM seria o todo-poderoso dentro do PFL, como se distinguiu nos anos do governo Fernando Henrique Cardoso.

 

Caso consiga emplacar o senador pernambucano, Bornhausen acredita, segundo observadores próximos da cena política, que terá chegado a hora de diminuir a área de influência de ACM nas fileiras pefelistas. Mas é fato que seu opositor já venceu, no início da disputa, um tento fundamental. ACM apostou que o escolhido dos tucanos seria Alckmin, e não o ex-prefeito paulistano José Serra, que recebera total apoio de Bornhausen e perdeu a indicação. O faro político rendeu ao senador baiano um canal direto de negociação com o tucanato paulista, ao mesmo tempo em que envenenou as relações do adversário catarinense junto ao presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, de quem é amigo de longa data.

 

Para justificar o nome de Jorge, o presidente do PFL realizou uma série de consultas junto aos principais líderes do partido, justamente aqueles que o sustentam politicamente como herdeiro do velho PDS, com todos os resquícios da ditadura. O velho cacoete de ouvir somente o lado que o apóia rendeu a Bornhausen um resultado favorável, mas sem credibilidade suficiente para significar uma vitória dentro do partido. Em consulta paralela, Mais diz ter a preferência dos pefelistas com uma frente de 55% sobre o pernambucano, junto ao mesmo eleitorado consultado por Bornhausen. Estabelecido o impasse, o político potiguar quer agora uma conferência final, caso não se chegue a um consenso.

 

Para o senador José Jorge, que se julga à frente do processo de escolha, caberá ao contendor estabelecer as regras para a saída desta sinuca de bico. Vestido de bombeiro, Alckmin – que não consegue avançar na preferência dos eleitores – pretende reunir os dois grupos adversários para uma “conversa franca e honesta”, segundo relata um observador da cena política.

 

Agripino, em conversa reservada com o político paulista, tranqüilizou-o dizendo que já reuniu o apoio de Estados importantes do Norte e Nordeste do país. Entre eles, a Paraíba toda, a ampla maioria do Piauí, à exceção do senador Heráclito Fortes, ainda sem definição, todo o Mato Grosso e uma parte do Maranhão. Neste último, está otimista sobre a possibilidade de a senadora Roseana Sarney, que ainda não declarou seu voto, vir a apoiá-lo em breve.