Escolas aplicam tecnologia da comunicação para combater violência

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 30 de janeiro de 2005 as 10:22, por: cdb

A violência nas escolas levou à implementação do projeto Educomunicação no ensino fundamental de 455 escolas de São Paulo. Crianças de 4ª à 8ª série trabalham a linguagem radiofônica de forma livre e democrática junto com professores e com a comunidade a comunicação no interior da escola. A experiência foi compartilhada com os participantes do 5º Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre (RS), pelo coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo(ECA/USP), Ismar de Oliveira.

Segundo ele, a novidade é que a tecnologia da comunicação passou a ser usada para enriquecer o currículo dos alunos. “Isso vai possibilitar que as pessoas se expressem melhor, além de contribuir para a redução da violência na escola. O desafio do projeto era reduzir a violência através da cultura.”

Durante os três anos de implementação do programa, 11 mil pessoas foram capacitadas, entre elas, sete mil educadores que difundem a idéia em alguns estados brasileiros como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. Para Ismar de Oliveira, a importância de se trabalhar a comunicação na escola está no fato de a criança ter respeitada a sua forma de expressão. “A gente queria que os adolescentes se expressassem da forma que quisessem e, usando a tecnologia, eles poderiam editar sua fala, introduzir música, ritmo. Não nos preocupávamos com a qualidade, mas com o planejamento conjunto entre os adolescentes”, conta.

Em dezembro de 2004, a primeira Lei de Educomunicação foi aprovada em São Paulo. A lei estabelece que esse programa deve ser instituído oficialmente e implementado pela administração pública. Ismar de Oliveira explica que isso significa que a educomunicação passa a ser política pública e estará presente nas secretarias de Cultura, Esporte, Educação. “Imaginamos que nos próximos cinco anos, políticas públicas e educomunicativas devam se estender por todo o país. A tendência é o crescimento rápido.”