Escândalo sobre venda de fragatas à Arábia Saudita atinge o Partido Republicano

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Publicado sexta-feira, 3 de agosto de 2001 as 16:44, por: cdb

Uma fragata não pode se esconder atrás de outra. E “um negócio fragata” também não. A Justiça voltou-se sobre a venda dos navios franceses à Taiwan em 1991, e a questão transformou-se em objeto de uma investigação conduzida por Renaud van Ruymbeke. No entanto, existe outro escândalo, conhecido como “Sawari 2”, sobre a venda de duas fragatas armadas, e de uma terceira ainda em opção, à Arábia Saudita, pela Diretoria de Construções Navais (DCN) do governo françês junto com a indústria de armamentos Thomson. O negócio suscita as mesmas interrogações que o de Taiwan. Talvez mesmo até maiores.

Este belo contrato foi assinado em 1994 pelo estado francês, através da Sociedade Francesa de Exportação de Materiais Avançados (Sofresa). Significa quase 20 mil milhões de francos originalmente, ou 28 mil milhões com a entrega do terceiro navio de guerra. Excepcionalmente, dois anos após a assinatura, a França secretamente vai reexaminar a arquitetura do contrato sobre um ponto essencial: as comissões, que originalmente superam os 18 %, incluindo a remuneração do Sofresa (1 % para as despesas de funcionamento), ou seja um montante de 5 mil milhões de francos.

O palácio Elysée foi advertido, imediatametne após a eleição presidencial de 1995, que compromissos exorbitantes foram assumidos pelo governo de Balladur neste contrato. Três tipos de irregularidades foram assinaladas ao novo presidente Jacques Chirac. A primeira refere-se ao tamanho da remuneração de um intermediário, Ali Ben Mussalam, saudita de origem iemenita que, com dois sócios, deverá embolsar 8 por cento do mercado e cobrar, ao longo de dez anos de duração do contrato, 2,2 bilhões de francos sobre o montante total de 5 bilhões. É demais.

Segunda esquisitice: o contrato assinado com este intermediário acorrenta por cinco anos os próximos negócios assinados da Sofresa com a Arábia Saudita.

E a terceira anomalia: a intervenção inédita e muito pessoal do ministro da Defesa, François Léotard, nas negociações com este intermediário. O chefe de Estado, alertado sobre os perigos desta negociação, decide revogar a assinatura do contrato. E leva o assunto ao rei Fahd quando de uma visita oficial à Arábia Saudita, em julho de 1996.

A decisão política de tirar Ben Mussalam e os seus dois associados do contrato foi tomada com estreito conhecimento dos sauditas. Porque, além do Elysée, o príncipe Sultan Ibn Abdulaziz, ministro da defesa saudita, foi informado igualmente deste contrato e da presença de Ben Mussalam nas negociações, e também não gostou nem um pouco.

Ainda restam muitas perguntas sem resposta e a Justiça ainda não começou a escavar as pistas existentes na Arábia Saudita. Além do ministro da Defesa, dois deputados do Partido Republicano não conseguem explicar seus envolvimentos no processo “Sawari 2”, muito menos o destino de 5 milhões de francos depositados na conta daquela legenda partidária em 1996.