Entre os deputados que saíram do Conselho, só um formaliza pedido

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Publicado sexta-feira, 7 de abril de 2006 as 14:00, por: cdb

Embora a absolvição do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) tenha causado uma onda de rebeldia no Conselho de Ética da Câmara, até o fechamento desta edição, às 13h53 apenas um dos seis deputados que ameaçaram deixar o colegiado havia formalizado a decisão. Os parlamentares Júlio Delgado (PSB-MG), Chico Alencar (PSOL-RJ), Orlando Fantazzini (PSOL-SP), Cezar Schirmer (PMDB-RS), Cláudio Magrão (PPS-SP) e Benedito de Lira (PP-AL) pediram desligamento do Conselho de Ética, mas apenas Fantazzini entregou a carta de renúncia à Secretaria-Geral da Câmara. Os demais devem oficializar a saída na próxima semana.

O caso do integrante do PPS é o mais intrincado, pois o partido não deverá indicar substituto para a vaga.

– É incoerente, se foi o partido que pediu [para sair do Conselho], indicar um substituto – disse ele a jornalistas.

Benedito Lira, embora ainda não tenha entregue a carta-renúncia, confirmou que pretende pedir o desligamento formal na semana que vem.

– Na segunda-feira eu vou ter um encontro com o meu líder de bancada, o Mário Negromonte [PP-BA], para pedir o meu substituto – disse.

‘Desmoralização’

Entre as razões para a renúncia dos deputados, “desmoralização” foi o termo usado por todos eles. O socialista Chico Alencar, em carta aberta, disse que o colegiadoa penas “ornamenta com debate democrático uma dinâmica, ao fim e ao cabo, corporativa”, em uma referência à votação dos processos de cassação no plenário da Casa. João Paulo Cunha foi o oitavo parlamentar que teve seu processo arquivado. Ele, e os demais, foram acusados de receber recursos do chamado valerioduto, esquema de caixa dois montado para a distribuição de propina entre os parlamentares.