Enquete mostra dados sobre a realidade da juventude do país

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Publicado quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 as 18:14, por: cdb

AGuatemala possui cerca de 4,2 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, cifra quecorresponde a 28% da população do país. Mas quem são esses jovens? Como vivem?Foi pensando em coletar mais informações sobre esse setor da sociedade que aSecretaria Executiva de Serviço Cívico (Sesc), o Conselho Nacional de Juventude(Conjuve) e o Instituto Nacional de Estatística (INE) elaboraram a Primeira Enquete Nacional de Juventude naGuatemala (Enju 2011).

Apublicação, lançada no início deste mês, apresenta dados sobre diferentesquestões relacionadas aos jovens, como: educação; capacitação técnica eformação para o trabalho; acesso a um emprego decente; migração; saúde econsumo de substâncias; família e sexualidade; política e participação; religião;risco social; uso do tempo; comunicação e tecnologias; e perspectivas juvenis.

Deacordo com a pesquisa, Guatemala possui 4.152.411 pessoas entre 15 e 29 anos.Dessas, 43,8% são homens e 56,2% são mulheres. Pouco mais da metade (50,5%)vive em zonas urbanas e 31,3% dos jovens consultados se identificaram comoindígenas.

Noaspecto educacional, a Enquete observa que o nível médio e a graduação no país continuamsendo para poucos. De acordo com a pesquisa, somente 31,5% dos jovens possuemnível médio. A porcentagem é ainda menor para o ensino universitário: apenas5,2%. Segundo o documento, quase 6% dos jovens guatemaltecos não possuem nenhumnível de estudo.

“Estesindicadores identificam diferenças importantes nos níveis de educaçãoalcançados por homens e mulheres. Em geral, observa-se que são as mulheres quemapresentam os índices mais baixos de educação, em contraste com os homens. Porexemplo, 6,9% das mulheres não têm nenhum nível de escolaridade, enquanto queos homens representam 4,4%. Adicionalmente, as mulheres jovens que cursaram osciclos básico e diversificado só são 30,1% e 22,1%, respectivamente; enquantoque os homens representam 33,4 e 25,2% para os mesmos ciclos de educação deNível Médio”, destaca.

Emrelação ao mercado de trabalho, a Enquete revela que 38,5% dos jovensguatemaltecos nunca trabalharam e não estão procurando emprego; 35% trabalham;10,9% já tiveram uma experiência profissional, mas estão sem trabalhar e nãobuscam emprego; e 9,5% estão em busca de trabalho.

Apesquisa também mostra a disparidade socioeconômica do país. Enquanto 76,2% dosjovens entre 15 e 29 anos possuem nível socioeconômico baixo ou de médio parabaixo; 3,3% possuem nível muito alto ou alto.

“Desdea perspectiva de nível socioeconômico, a maior concentração da populaçãojuvenil está nos níveis baixos, enquanto que uma minoria pertence aos níveismédio e alto. Isto contribui para que persista a diferença no acesso aoportunidades de desenvolvimento e incorporação da juventude à sociedade,sobretudo se levam em consideração os níveis elevados de desigualdade social eeconômica na Guatemala”, comenta.

Violência

Sea violência já é uma problemática preocupante para a sociedade guatemalteca demodo geral, para os jovens, o problema assume proporções bem maiores. Sãodiversas as formas de violência que afetam a juventude no país. A principaldelas, de acordo com 17,18% dos/as jovens entrevistados/as, é ameaça ou pressãogangues ou quadrilhas juvenis. A maioria dos/as jovens consultados/as também destacoua rua como principal local em que ocorre violência contra a juventude.

“Aspercepções não somente refletem a forma em que os discursos sobre a violênciase constroem e os efeitos que a violência tem no mundo da vida da juventude. Aomesmo tempo, estas percepções implicam na possibilidade de implementar oulegitimar ações concretas. É importante destacar que a maioria das açõessugeridas pelos/as entrevistados/as giram em torno dos mesmos aspectos queoriginalmente foram apresentados como os principais fatores que aumentam orisco da juventude, quer dizer, a exclusão e a marginalidade. Os resultadosmostram que a ampliação da saúde, a educação, o emprego e a segurança socialseria a principal forma de enfrentar o problema da violência. Seguem aspectosrelacionados à prevenção e ao acesso a formas de recreação; estes aspectosestão ligados ao mesmo tempo ao uso democrático do espaço público”, analisa.

Leiaa Enquete em: http://www.conjuve.gob.gt/portal1/index.php?idPagina=21